Durante palestra no 14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros na UnB, na noite de quinta-feira (30), o sociólogo guineense Miguel de Barros afirmou que o Brasil e países africanos sofrem ataques de multinacionais interessadas no controle de terras raras.

O especialista alertou para a emergência de um novo projeto colonial movido por nações do Norte Global. Segundo ele, o objetivo dessas potências é estabelecer um monopólio sobre o patrimônio natural para produzir desde celulares e carros elétricos até armamentos bélicos e bombas nucleares.

Além disso, de acordo com o pesquisador, controlar a Amazônia representa dominar reservas vitais de água, energia e produção de alimentos, garantindo também hegemonia geopolítica para os colonizadores.

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Ameaça através da inteligência artificial

Em seu discurso, Miguel de Barros ressaltou que este neocolonialismo atual se apoia na dominação tecnológica, especialmente com o avanço das empresas de inteligência artificial, substituindo a força humana por máquinas.

Ele ressaltou que esse ecossistema financeiro ignora as necessidades dos povos colonizados, funcionando como uma ferramenta de apropriação do conhecimento e do patrimônio cultural da população negra. Para combater esse cenário, defendeu o suporte tecnológico à comunidade negra.

Desigualdade na saúde e racismo estrutural

O sociólogo também criticou a distribuição de insumos durante a pandemia de Covid-19, ressaltando que o continente africano imunizou apenas um quarto de sua população com duas doses devido ao bloqueio de tecnologias e medicamentos por potências econômicas.

Por fim, o palestrante apontou que a seletividade sobre o direito à vida é alimentada pelo racismo. Ele defendeu que o poder público e a academia devem fortalecer os saberes tradicionais como instrumento decisivo de autonomia e emancipação política dos povos vulneráveis.

FONTE/CRÉDITOS: Redação O Vale Quer Saber