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O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) anunciou nesta terça-feira (6) apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial de 2026. A declaração foi feita em Goiânia, durante encontro político no espaço que abrigou o comitê central de campanha do MDB e dos partidos aliados, na Rua T-34, no Setor Bueno. No mesmo evento, o governador eleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), também declarou voto no candidato do PL.
Caiado disputou a Presidência no primeiro turno e terminou em quinto lugar, com 2,18% dos votos válidos, cerca de 2,6 milhões de eleitores. O número chama atenção porque é maior que a diferença entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, apurada no domingo (4): pouco mais de 2,2 milhões de votos.
"Goiás vai dar a maior vitória ao Flávio Bolsonaro nessa eleição. A mobilização vai ser em tempo integral", afirmou Caiado.
Flávio foi ao encontro acompanhado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no domingo. Também discursaram o senador eleito Gustavo Gayer (PL) e a senadora eleita Gracinha Caiado (União Brasil), mulher do ex-governador. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
O que Caiado disse ao declarar apoio a Flávio Bolsonaro
Antes de anunciar a decisão, Caiado falou da amizade com o ex-presidente Jair Bolsonaro e disse que o apoio a Flávio corresponde ao desejo do ex-presidente. Depois lembrou a aprovação que teve como governador de Goiás e as disputas que travou ao longo da carreira contra o partido de Lula.
"Eu estou aqui para fazer o que é a coerência da minha vida, que é poder derrotar o PT em uma eleição e tem 40 anos que faço isso", declarou.
O ex-governador também comentou as críticas e as diferenças da campanha do primeiro turno, quando ele e Flávio disputavam parte do mesmo eleitorado. "Falei essas coisas porque vocês sabem que eu queria ganhar. Não ganhei as eleições, ele quem ganhou e vai ter o meu apoio", disse.
No discurso, Caiado também reforçou duas pautas que defendeu durante a campanha: a aprovação de uma anistia e a adoção de medidas em relação a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois temas fazem parte da agenda do campo político que se reúne em torno de Flávio e devem continuar no debate até o dia da votação.
Da cautela ao anúncio
O apoio não veio de imediato. Na coletiva de imprensa após a vitória de Daniel Vilela ao governo de Goiás, Caiado havia dito que a posição para o segundo turno seria discutida com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Até então, ele evitava antecipar qualquer declaração. Por isso, parte da imprensa o listou na segunda-feira (5) entre os candidatos derrotados que ainda aguardavam orientação do partido.
A decisão desta terça encerra essa indefinição no caso de Caiado. A posição oficial do PSD como partido, porém, não foi detalhada no encontro de Goiânia.
Quem mais subiu no palanque em Goiânia
O evento reuniu algumas das principais lideranças da direita eleitas no estado no domingo e funcionou como um ato de unificação do grupo para a reta final da campanha.
- Gustavo Gayer (PL), senador eleito: foi o primeiro a discursar e declarou apoio a Flávio. Também enviou uma mensagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, na qual mencionou o plano de anistia.
- Gracinha Caiado (União Brasil), senadora eleita: defendeu a união do grupo no segundo turno. "Vemos no primeiro turno que cada um defendeu o que acreditava. Agora estamos no segundo turno, onde nossas diferenças são bem menores do que o que nos une", disse.
- Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador reeleito de São Paulo: acompanhou Flávio e declarou apoio antes da fala de Caiado. Tarcísio foi reeleito com 62% dos votos.
- Daniel Vilela (MDB), governador eleito de Goiás: sucessor político de Caiado no estado, também anunciou apoio ao candidato do PL.
A presença de Tarcísio ao lado de Flávio em Goiânia tem peso simbólico. Antes da definição das candidaturas, o governador paulista era apontado como possível nome da direita para a Presidência, e São Paulo foi o estado que mais contribuiu para a vantagem de Flávio no primeiro turno.
Goiás como vitrine do grupo de Caiado
A escolha do local também tem significado. O encontro aconteceu no mesmo espaço usado como comitê central da campanha vitoriosa de Daniel Vilela, que foi vice-governador na gestão Caiado e venceu a eleição estadual com o apoio do ex-governador. Na prática, as forças de direita em Goiás saíram do primeiro turno fortalecidas, com o governo do estado e as duas vagas ao Senado em disputa, conquistadas por Gustavo Gayer e Gracinha Caiado.
Ao reunir essas lideranças no mesmo palco, a campanha de Flávio tenta transformar a estrutura política local em mobilização eleitoral. É essa engrenagem, formada por prefeitos, deputados e lideranças regionais, que Caiado promete colocar para funcionar "em tempo integral" até o dia 25.
Os números do primeiro turno da eleição presidencial
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 99,99% das urnas apuradas, o resultado do primeiro turno foi este:
- Flávio Bolsonaro (PL): 56.104.268 votos (47,03% dos válidos)
- Lula (PT): 53.876.617 votos (45,16% dos válidos)
- Augusto Cury (Avante): cerca de 3,44 milhões de votos (2,89%)
- Renan Santos (Missão): cerca de 2,67 milhões de votos (2,24%)
- Ronaldo Caiado (PSD): cerca de 2,6 milhões de votos (2,18%)
Romeu Zema (Novo) completou a lista dos candidatos mais votados. Somados, os quatro candidatos eliminados reuniram 7,6% dos votos válidos, segundo análise da Genial Investimentos. Os votos brancos foram 1,84% e os nulos, 2,93%.
A diferença entre os dois finalistas foi de 2.227.651 votos. É aí que a votação de Caiado ganha importância: em números absolutos, os eleitores do ex-governador bastam para cobrir a distância entre Flávio e Lula. Isso explica o interesse das duas campanhas pelos votos dos candidatos derrotados.
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Apoio declarado não é voto transferido
Apesar do peso dos números, a experiência eleitoral brasileira mostra que o apoio de um candidato derrotado não vira automaticamente voto para quem recebe a declaração. O eleitor do primeiro turno pode seguir a orientação do seu candidato, escolher o outro finalista, votar em branco, anular ou simplesmente não comparecer.
A própria análise da Genial Investimentos sobre o primeiro turno faz esse alerta: "apoio declarado, no entanto, não equivale a voto entregue". Pelos cálculos do relatório, a situação dos dois finalistas é bem diferente:
- Lula precisaria conquistar cerca de 62% dos votos dados aos candidatos eliminados para virar o placar, mantidas as demais condições.
- Flávio Bolsonaro precisaria de pouco mais de 38% desse mesmo grupo para manter a liderança.
O relatório também aponta a abstenção como fator decisivo. Se a abstenção cair três pontos percentuais apenas entre os eleitores de Flávio, o percentual de que Lula precisa entre os eliminados cai de 61,9% para 52,9%. Ou seja, o comparecimento às urnas no dia 25 pode pesar tanto quanto os apoios anunciados nesta semana.
O perfil do eleitor de Caiado
O eleitorado de Caiado tem uma característica que favorece a estratégia de Flávio: o ex-governador construiu a candidatura na centro-direita, com discurso de oposição ao governo Lula. Em agosto, a pesquisa Genial/Quaest já indicava que a viabilidade de Caiado estava concentrada em bases regionais, sobretudo no Centro-Oeste, com rejeição de 34%. Naquele levantamento, os dois finalistas tinham rejeição acima de 50%.
Isso sugere que boa parte de quem votou em Caiado já tinha resistência ao PT, o que torna a migração para Flávio mais provável do que para Lula. Ainda assim, parte desse eleitorado escolheu Caiado justamente em busca de uma alternativa à polarização entre os dois líderes. Esse grupo pode optar pelo voto em branco, pelo nulo ou pela abstenção.
Como ficam os outros candidatos derrotados
O anúncio de Caiado se soma a outras definições feitas desde a apuração do primeiro turno. Até esta terça-feira, a situação dos candidatos eliminados era esta:
- Romeu Zema (Novo): declarou apoio a Flávio Bolsonaro, com discurso de oposição ao PT.
- Augusto Cury (Avante): terceiro colocado, anunciou neutralidade e disse que não deve se manifestar durante o segundo turno.
- Renan Santos (Missão): informou que não vai apoiar nenhum dos dois finalistas.
- Ronaldo Caiado (PSD): depois de esperar o diálogo com a direção do partido, anunciou apoio a Flávio nesta terça.
Com isso, Flávio já tem o apoio de dois dos quatro candidatos eliminados. Nenhum dos quatro anunciou, até o momento, apoio a Lula. O maior volume de votos em aberto está com Cury, que teve cerca de 3,44 milhões de eleitores e optou pela neutralidade.
O mapa do voto: força no Sudeste e no Centro-Oeste, desafio no Nordeste
O primeiro turno confirmou uma divisão regional clara do eleitorado. Flávio construiu sua vantagem principalmente no Sudeste. Só em São Paulo, a diferença a favor do candidato do PL chegou a 3,42 milhões de votos, mais que a vantagem nacional. Lula venceu em 12 estados e teve no Nordeste seu principal reduto, com um saldo de 11,1 milhões de votos sobre o adversário na região.
O evento em Goiânia mostra a aposta da campanha de Flávio em ampliar a margem no Centro-Oeste, onde Caiado governou por dois mandatos e mantém influência política. A promessa de que "Goiás vai dar a maior vitória ao Flávio Bolsonaro" indica uma estratégia de aumentar a vantagem nos estados onde o candidato já é favorito e de reduzir a abstenção entre seus eleitores.
Do lado de Lula, a tarefa é a inversa: manter a votação alta no Nordeste, levar mais eleitores às urnas na região e tentar diminuir a distância no Sudeste. Segundo a análise da Genial, a abstenção no Nordeste foi de 18,4% no primeiro turno, a menor entre as regiões. No Sudeste, chegou a 22,7%.
O que o apoio de Caiado significa para o Vale do São Francisco
Para o eleitor do Vale do São Francisco, o impacto direto do anúncio feito em Goiânia tende a ser pequeno. Caiado não tem base eleitoral relevante na Bahia nem em Pernambuco, e o Nordeste continua sendo a região mais favorável a Lula. Na pesquisa Genial/Quaest de agosto, Lula tinha 59% das intenções de voto no Nordeste, contra 20% de Flávio, e a aprovação do governo na região era de 66%.
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT), reeleito no primeiro turno, já anunciou que vai reforçar a campanha de Lula no estado. Em Pernambuco, o comportamento do eleitor no segundo turno também deve ser influenciado pela disputa local e pela posição das principais lideranças estaduais.
O efeito indireto, porém, chega à região. Numa eleição decidida por margens estreitas, cada voto que Flávio ganha no Centro-Oeste e no Sudeste aumenta a pressão sobre a campanha de Lula para ampliar a votação justamente em estados como Bahia e Pernambuco. A tendência é que as duas campanhas aumentem a presença no Nordeste nas próximas semanas, com agendas, atos e propaganda voltados ao eleitor da região.
Temas que mobilizam o Vale, como segurança hídrica, irrigação, fruticultura de exportação, infraestrutura logística e programas sociais, devem aparecer mais no discurso dos dois candidatos à medida que a disputa pelo voto nordestino esquenta.
Próximos passos até o segundo turno
A campanha de segundo turno vai até a véspera da votação. O horário eleitoral gratuito volta ao rádio e à televisão, agora dividido igualmente entre os dois candidatos. Nos próximos dias, são esperadas novas declarações de apoio de governadores, senadores e prefeitos eleitos, dos dois lados.
Outro ponto em aberto são os debates. No primeiro turno, Lula e Flávio não participaram dos encontros promovidos pelas emissoras de TV, o que levou ao cancelamento de parte dos programas. A Record havia reservado o dia 11 de outubro para um possível debate de segundo turno, mas a presença dos dois candidatos ainda não foi confirmada.
A votação do segundo turno acontece no domingo, 25 de outubro. O eleitor deve ir à mesma seção onde votou no primeiro turno, com documento oficial com foto ou com o aplicativo e-Título.
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