A final da Libertadores 2026 está definida: Palmeiras x Estudiantes. Na noite desta quinta-feira (22), o time argentino eliminou o Flamengo nos pênaltis, em pleno Maracanã, mesmo jogando com um jogador a menos durante praticamente todo o segundo tempo. O herói da classificação foi o goleiro uruguaio Fernando Muslera, que defendeu três cobranças na disputa por pênaltis.

A decisão está marcada para o dia 28 de novembro, um sábado, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai. O horário da partida ainda será divulgado pela Conmebol.

O confronto tem peso histórico. Palmeiras e Estudiantes já decidiram a Libertadores em 1968, e o título daquele ano foi definido justamente no Centenário, o mesmo palco da final de 2026. Agora, os argentinos buscam o pentacampeonato, enquanto o Verdão quer o tetra, que escapou na temporada passada.

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Como foi Flamengo x Estudiantes no Maracanã

O jogo de volta da semifinal reuniu 72.492 torcedores no Maracanã, conhecido como o "Templo do Futebol". O Flamengo entrou em campo com a responsabilidade de decidir em casa, já que a partida de ida, em La Plata, na Argentina, terminou empatada sem gols.

O roteiro se repetiu no Rio de Janeiro. Mesmo com o apoio da torcida, o time comandado por Leonardo Jardim não conseguiu furar a defesa argentina, e o placar voltou a terminar em 0 a 0 no tempo regulamentar.

O cenário parecia favorável aos donos da casa a partir dos 4 minutos do segundo tempo. O meia Baltasar Rodríguez, do Estudiantes, recebeu o segundo cartão amarelo por puxar a camisa de Samuel Lino e foi expulso. Com um jogador a mais por cerca de 45 minutos, o Flamengo pressionou, mas parou na organização defensiva do time treinado por Alexander Medina e em Muslera, que já havia feito uma defesa importante no primeiro tempo, aos 36 minutos, em cabeceio de Gonzalo Plata.

Muslera decide nos pênaltis

Sem gols nos 180 minutos do confronto, a vaga na final foi decidida na marca da cal. E ali brilhou a experiência de Muslera.

O goleiro uruguaio defendeu as cobranças de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique. Pelo Flamengo, apenas Arrascaeta e Léo Pereira converteram. Do lado argentino, José Sosa, Mancuso e Tiago Palacios marcaram, enquanto Cetré chutou por cima do gol.

Resumo da disputa por pênaltis:

  • Placar final: Estudiantes 3 x 2 Flamengo
  • Gols do Flamengo: Arrascaeta e Léo Pereira
  • Defesas de Muslera: Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique
  • Gols do Estudiantes: José Sosa, Mancuso e Tiago Palacios
  • Cobrança perdida pelo Estudiantes: Cetré, para fora

A atuação confirma a importância da experiência em jogos decisivos. Muslera construiu a maior parte da carreira no futebol europeu, com mais de uma década no Galatasaray, da Turquia, e disputou Copas do Mundo pela seleção uruguaia. No Maracanã, mostrou leitura das cobranças e frieza para segurar a pressão de um estádio lotado contra o seu time.

Vale lembrar que, em uma disputa por pênaltis, uma única defesa costuma ser suficiente para desequilibrar a série. No Maracanã, foram três defesas em cinco cobranças, números que transformaram o goleiro no principal nome da classificação argentina.

O resultado tem sabor de revanche para os argentinos. Na Libertadores de 2025, o Flamengo havia eliminado o Estudiantes nas quartas de final, também em disputa de pênaltis. Um ano depois, a história se inverteu, e no estádio do adversário.

O peso da eliminação para o Flamengo

Para o rubro-negro, a eliminação encerra a tentativa de defender o título conquistado justamente sobre o Palmeiras na temporada passada. O clube carioca chegava à semifinal como atual campeão e decidiu a vaga em casa, diante de mais de 72 mil torcedores.

Três fatores tornam a queda ainda mais difícil de digerir para a torcida:

  • Vantagem numérica: o Flamengo jogou com um a mais por cerca de 45 minutos e não conseguiu marcar
  • Fator casa: a decisão aconteceu no Maracanã, com estádio praticamente lotado
  • Dois jogos sem gols: em 180 minutos de confronto, o time não balançou as redes do Estudiantes

Com a eliminação, a final da Libertadores 2026 terá apenas um representante brasileiro, depois de duas semifinais com três clubes do país entre os quatro classificados.

Palmeiras também passou nos pênaltis

O Palmeiras garantiu a primeira vaga na final um dia antes, na quarta-feira (21). Depois de vencer o Fluminense por 2 a 1 no Maracanã, no jogo de ida, o Verdão perdeu a partida de volta por 1 a 0 no Nubank Parque, em São Paulo, com gol de Hércules aos 36 minutos do segundo tempo.

Com o agregado empatado em 2 a 2, a decisão também foi para os pênaltis. O time de Abel Ferreira converteu as cinco cobranças, com Mauricio, Gustavo Gómez, Ramón Sosa, Piquerez e Marlon Freitas, e venceu por 5 a 3.

Com a classificação, o Palmeiras chegou à oitava final de Libertadores da sua história.

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Palmeiras x Estudiantes: a final de 1968

A decisão de 2026 reedita uma das finais mais marcantes da Libertadores. Em 1968, Palmeiras e Estudiantes disputaram o título continental em um formato bem diferente do atual.

Naquela época, a final era disputada em jogos de ida e volta, e o saldo de gols não servia como critério de desempate. Valia o número de vitórias. Se cada equipe vencesse uma partida, um terceiro jogo era marcado em campo neutro.

Foi exatamente o que aconteceu:

  • Jogo de ida, em La Plata: Estudiantes 2 x 1 Palmeiras
  • Jogo de volta, em São Paulo: Palmeiras 3 x 1 Estudiantes
  • Jogo extra, no Estádio Centenário, em Montevidéu: Estudiantes 2 x 0 Palmeiras

Se valesse o saldo de gols, critério usado hoje nos mata-matas de ida e volta, o Palmeiras teria levado a taça no agregado. Pela regra da época, porém, a disputa foi para o terceiro jogo, e o Estudiantes venceu por 2 a 0 para conquistar a Libertadores pela primeira vez.

A diferença de regulamento ajuda a entender por que aquela final ficou marcada na memória dos palmeirenses. O time paulista fez mais gols no somatório das duas primeiras partidas (4 a 3), mas precisou disputar um terceiro jogo fora do Brasil, onde acabou superado.

Quase seis décadas depois, os dois clubes voltam a se encontrar no mesmo estádio, agora em jogo único.

O tricampeonato e o quarto título do Estudiantes

O título de 1968 abriu uma das sequências mais vitoriosas da história da competição. O Estudiantes, comandado pelo técnico Osvaldo Zubeldía, conquistou o tricampeonato consecutivo:

  • 1968: campeão sobre o Palmeiras
  • 1969: campeão sobre o Nacional, do Uruguai
  • 1970: campeão sobre o Peñarol, também do Uruguai

Um dos símbolos daquele time era o atacante Juan Ramón Verón, conhecido como "La Bruja".

O quarto título veio 39 anos depois, em 2009, contra um adversário brasileiro: o Cruzeiro. Após empate sem gols em La Plata, o Estudiantes venceu a Raposa de virada por 2 a 1, em pleno Mineirão, em Belo Horizonte. O capitão daquele time era Juan Sebastián Verón, filho de "La Bruja", o que deu à conquista um peso ainda maior para a torcida argentina.

Com quatro taças, o Estudiantes vai a Montevidéu em busca do penta.

A era Abel Ferreira e a busca pelo tetra

Do lado brasileiro, o Palmeiras viveu uma transformação recente na Libertadores. Até 2020, o clube tinha apenas um título da competição, conquistado em 1999. O cenário mudou com a chegada do técnico português Abel Ferreira, no fim de 2020.

Desde então, o Palmeiras disputou quatro finais em sete edições sob o comando de Abel (de 2020 a 2026), com dois títulos conquistados. O terceiro sob o comando do português pode vir justamente contra o Estudiantes.

As três vezes em que o Palmeiras levantou a taça da Libertadores:

  • 1999: campeão sobre o Deportivo Cali, da Colômbia
  • 2020: campeão sobre o Santos, com a final disputada em janeiro de 2021, no Maracanã, por causa do calendário alterado pela pandemia de Covid-19
  • 2021: campeão sobre o Flamengo, em final disputada no Estádio Centenário, em Montevidéu

O histórico do Palmeiras em finais

A classificação sobre o Fluminense levou o Palmeiras à oitava decisão continental. Além dos três títulos, o clube acumula quatro vices:

  • 1961: vice diante do Peñarol, do Uruguai
  • 1968: vice diante do Estudiantes, após o jogo extra em Montevidéu
  • 2000: vice diante do Boca Juniors, da Argentina
  • 2025: vice diante do Flamengo

Ou seja, em 2026 o Palmeiras terá a chance de transformar em título um reencontro com o adversário que lhe tirou a taça há 58 anos.

A última final do Verdão, no entanto, terminou em frustração. Em 2025, o Palmeiras perdeu a decisão para o Flamengo e viu escapar a chance do tetra. Agora, um ano depois, o clube tem nova oportunidade.

Estádio Centenário: palco de lembranças para os dois lados

O local da final reforça o clima de superstição entre as torcidas. O Estádio Centenário guarda boas recordações tanto para palmeirenses quanto para os argentinos.

Para o Estudiantes, foi no Centenário que o clube conquistou a primeira Libertadores, em 1968, justamente diante do Palmeiras. Para o Verdão, o mesmo estádio foi o palco do título de 2021, conquistado sobre o Flamengo.

Inaugurado em 1930 para a primeira Copa do Mundo da história, o Centenário é um dos estádios mais tradicionais do futebol mundial e voltará a receber uma final de Libertadores com dois clubes que já levantaram a taça no local.

Há ainda um ingrediente particular: Muslera, herói da classificação argentina, é uruguaio e defendeu a seleção do país por muitos anos. A final será disputada em sua terra natal.

O que está em jogo na final

A final de 28 de novembro coloca frente a frente duas histórias diferentes na competição:

  • Estudiantes: busca o quinto título e o primeiro desde 2009
  • Palmeiras: busca o quarto título e o terceiro na era Abel Ferreira
  • Retrospecto em finais entre os dois: vantagem argentina, com o título de 1968
  • Local: Estádio Centenário, em Montevidéu, onde os dois já foram campeões

A decisão será em jogo único, formato adotado pela Conmebol desde 2019. Em caso de empate no tempo regulamentar, a disputa segue para a prorrogação e, se necessário, para os pênaltis.

Semifinais decididas nos detalhes

As duas semifinais de 2026 tiveram um ponto em comum: nenhuma foi resolvida com a bola rolando. Tanto Palmeiras quanto Estudiantes só garantiram a vaga na disputa por pênaltis, o que reforça o equilíbrio desta fase da competição.

No caso do Palmeiras, a vantagem construída no Rio de Janeiro desapareceu nos minutos finais do jogo de volta, com o gol de Hércules. No caso do Estudiantes, o time resistiu a dois jogos sem sofrer gols contra o atual campeão, mesmo atuando com um jogador a menos em boa parte da segunda partida.

Esse histórico recente indica que a final pode ser decidida, mais uma vez, em pequenos detalhes: uma bola parada, uma expulsão ou o desempenho dos goleiros. Muslera chega embalado pelas três defesas no Maracanã, enquanto o Palmeiras aposta na regularidade de um elenco acostumado a decisões continentais nos últimos anos.

A final da Copa Libertadores 2026 entre Palmeiras e Estudiantes será disputada no sábado, 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai. O horário da partida e as informações de transmissão ainda serão confirmados pela Conmebol. Como Bahia e Pernambuco seguem o horário de Brasília, o torcedor de Juazeiro, Petrolina e das demais cidades do Vale do São Francisco acompanha o jogo no mesmo horário oficial divulgado para o restante do país.

Até lá, a expectativa é de semanas de preparação intensa para os dois clubes, que chegam à decisão depois de semifinais definidas nos detalhes e na disputa por pênaltis.

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FONTE/CRÉDITOS: Redação O Vale Quer Saber