A nova pesquisa Quaest para o segundo turno da eleição presidencial mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto e o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, com 44%. A diferença de um ponto está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que configura empate técnico a três dias da votação, marcada para domingo, 25 de outubro. Outros 9% dos entrevistados disseram que vão votar em branco, anular ou não comparecer, e 2% estão indecisos.

O levantamento foi encomendado pela TV Globo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026. Foram ouvidos 2.154 eleitores entre 17 e 20 de outubro, período que inclui o debate promovido pela Band no domingo (18). O nível de confiança é de 95%.

Enquanto os números mostram um eleitorado dividido praticamente ao meio, os dois candidatos transformaram a reta final em uma disputa sobre transparência. Depois de um desafio lançado por Lula no debate, as duas campanhas trocaram exigências sobre a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos, e as autorizações devem ser formalizadas no TSE nesta quinta-feira (22), às 11h.

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O que mostra a nova pesquisa Quaest

Na comparação com a rodada anterior, divulgada em 14 de outubro, Flávio oscilou de 46% para 45%, e Lula se manteve com 44%. A variação do senador é de um ponto, menor que a margem de erro, e por isso não pode ser lida como queda estatisticamente comprovada. O que a série indica é estabilidade: a eleição chega à última semana sem que nenhum dos dois tenha conseguido abrir vantagem.

O quadro é semelhante na pesquisa espontânea, quando o entrevistado responde sem ver a lista de nomes. Nesse formato, Lula e Flávio aparecem empatados com 40% cada. O número de indecisos na espontânea subiu de 7% para 14%, enquanto o grupo que declara branco, nulo ou abstenção passou de 8% para 6%.

Resumo dos principais números da Quaest:

  • Flávio Bolsonaro (PL): 45% (antes, 46%)
  • Lula (PT): 44% (antes, 44%)
  • Branco, nulo ou não vai votar: 9%
  • Indecisos: 2%
  • Margem de erro: 2 pontos percentuais, para mais ou para menos

Votos válidos e rejeição

A Quaest não divulgou o cálculo de votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos e é o critério usado pela Justiça Eleitoral para definir o vencedor. Pelo cálculo feito pelo portal Poder360 a partir dos números totais, Flávio teria cerca de 50,6% e Lula, 49,4%.

A rejeição é um dos dados que mais se moveram. O percentual de eleitores que afirmam não votar em Lula de jeito nenhum caiu de 53% para 47%, uma redução de seis pontos, acima da margem de erro. A rejeição de Flávio passou de 54% para 52%, oscilação dentro da margem. Com isso, o senador passa a ser o candidato com rejeição mais alta, ainda que lidere numericamente a intenção de voto.

Esse cruzamento ajuda a entender por que a disputa segue aberta. Em um segundo turno, a rejeição funciona como um teto: indica até onde cada candidato consegue crescer. Com os dois acima dos 45% de rejeição e o eleitorado indeciso reduzido a 2%, a margem de crescimento é pequena para ambos, e a decisão tende a depender de mobilização e comparecimento.

A pesquisa também mediu a avaliação do governo federal. A desaprovação ficou em 47%, e a aprovação, em 46%. Avaliam a gestão como ótima ou boa 34% dos entrevistados; como regular, 26%; e como ruim ou péssima, 38%.

Bolsa Família concentra a principal mudança

Quando os resultados são separados por região, sexo, raça, renda e escolaridade, os percentuais de cada candidato permanecem estáveis em relação à rodada anterior. A exceção aparece entre os eleitores que recebem o Bolsa Família.

Nesse grupo, Lula passou de 60% para 62%, enquanto Flávio caiu de 31% para 27%. A distância entre os dois, que era de 29 pontos, chegou a 35 pontos. Como se trata de um recorte da amostra, a margem de erro é maior que a da pesquisa geral, o que pede cautela na leitura. Ainda assim, o movimento é o único que se destaca em todo o levantamento.

O dado tem peso direto para a região. O Nordeste reúne a maior parcela das famílias atendidas pelo programa, e municípios do Vale do São Francisco, como Juazeiro, Petrolina, Sobradinho, Casa Nova e Uauá, têm parte relevante da população inscrita no Cadastro Único. Na prática, é um eleitorado que costuma acompanhar de perto qualquer sinal sobre a continuidade de programas de transferência de renda.

Para onde vão os eleitores de fora da polarização

Com a disputa empatada, os votos de quem não escolheu Lula nem Flávio no primeiro turno ganharam importância. A Quaest dividiu esse eleitorado em dois grupos.

Entre os que votaram em outros candidatos no primeiro turno, 43% dizem que vão votar em Flávio, e 37%, em Lula. Já entre os que não foram votar ou anularam e votaram em branco em 4 de outubro, o resultado se inverte: 40% declaram voto em Lula, e 36%, em Flávio.

Os números mostram que nenhum dos dois conseguiu atrair de forma ampla esses eleitores. As vantagens nos dois grupos são de quatro a seis pontos, e uma parte significativa segue sem definir o voto ou disposta a repetir o branco, o nulo ou a abstenção.

O levantamento também detalhou o destino dos eleitores de cada candidato derrotado no primeiro turno, com margens de erro que variam de 17 a 24 pontos percentuais, por causa do tamanho reduzido desses grupos:

  • Eleitores de Augusto Cury: 48% vão de Lula e 33% de Flávio
  • Eleitores de Ronaldo Caiado: 57% vão de Flávio e 21% de Lula
  • Eleitores de Renan Santos: 51% vão de Flávio e 25% de Lula

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Expectativa de vitória favorece Flávio

Mesmo com o empate nas intenções de voto, a percepção dos eleitores sobre quem vai ganhar é diferente. Para 54% dos entrevistados, Flávio Bolsonaro vai vencer a eleição. Outros 37% acreditam na vitória de Lula.

A expectativa de vitória não é intenção de voto, mas costuma ser acompanhada pelas campanhas porque pode influenciar o comportamento de parte do eleitorado, seja estimulando a ida às urnas, seja provocando o chamado voto útil ou desânimo entre apoiadores do candidato visto como derrotado.

O que dizem outros termômetros

Fora das pesquisas tradicionais, outros indicadores também apontam vantagem para o senador:

  • Mercado preditivo: em plataformas de apostas sobre eventos, a probabilidade de vitória de Flávio está em cerca de 79%, contra 21% de Lula.
  • Instituto Gerp: que acertou a vitória de Flávio no primeiro turno, aponta o senador com 53% dos votos válidos, contra 47% de Lula.

Esses dados não são comparáveis entre si. O mercado preditivo reflete o comportamento de quem aposta dinheiro no resultado, e não uma amostra representativa do eleitorado. Já as pesquisas de institutos diferentes usam metodologias, períodos de coleta e formas de entrevista distintas, o que explica variações nos números.

A disputa dos sigilos: do debate da Band ao TSE

Fora das pesquisas, a reta final da campanha passou a girar em torno de um desafio feito no debate da Band, no domingo (18). Lula afirmou que abriria seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, e os de sua família, se Flávio fizesse o mesmo com os dele e os de seus familiares.

Na terça-feira (20), a defesa do presidente apresentou ao TSE uma autorização para liberar seus dados bancários, fiscais e telefônicos dos últimos oito anos, condicionada à reciprocidade do adversário.

As condições apresentadas por Flávio

Na quarta-feira (21), a defesa do senador respondeu que aceitava a quebra, mas apresentou uma lista de 19 condições. Entre os pedidos estão:

  • Dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e de outros assessores, seguranças e auxiliares que usaram linhas telefônicas do presidente nos últimos oito anos;
  • A agenda da primeira-dama Janja anterior a fevereiro de 2025;
  • Os gastos do cartão corporativo da Presidência desde 1º de janeiro de 2023;
  • Os registros de visitas ao Palácio do Planalto e ao Palácio da Alvorada, incluindo visitas do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e dos filhos de Lula;
  • A ampliação do período analisado para a partir de 2003 e a inclusão de familiares, empresas e do Instituto Lula.

A defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro informou que ele já havia disponibilizado seus dados bancários e fiscais à Justiça em 4 de agosto, antes das exigências do senador.

A contrapartida de Lula

A campanha petista respondeu que aceita as condições. O senador Camilo Santana (PT-CE) afirmou que o presidente "não se opõe a absolutamente nada" do que foi proposto, desde que Flávio cumpra integralmente a contrapartida.

Lula, por sua vez, incluiu um novo pedido: a quebra do sigilo da Alcazar Holdings, empresa registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, cujo sócio é o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Tomaz é investigado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro, em apuração encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo reportagens com base nas investigações, documentos indicariam Flávio como "usuário master" de uma conta da empresa. Em petição ao TSE, a campanha do presidente resumiu a cobrança com a frase "quem não deve, não recorta".

Em evento em Belo Horizonte, Lula usou uma comparação com o jogo de cartas para se referir à resposta do adversário. "Ele não tem nenhuma carta boa, só tem mentira", disse.

A defesa de Flávio sustenta no processo que o senador não é sócio, administrador nem beneficiário da Alcazar e que, por isso, não tem acesso aos dados bancários e fiscais da empresa. Flávio e Willer Tomaz negam ter negócios em comum.

O que acontece a partir de agora

A formalização das autorizações está prevista para esta quinta-feira (22), às 11h, no TSE. Alguns pontos ajudam a entender o alcance da medida:

  • Autorizar não é revelar: a autorização permite o acesso aos dados, mas não significa que eles serão analisados ou divulgados de imediato.
  • Registros em lugares diferentes: bancos, Receita Federal e operadoras de telefonia guardam as informações separadamente, com prazos próprios de resposta.
  • Terceiros precisam autorizar: dados de familiares, assessores e empresas dependem de autorização dos próprios envolvidos ou de decisão judicial.
  • Prazo curto: uma análise completa dificilmente será concluída antes de domingo.

O tema deve voltar ao centro da campanha no debate da TV Globo, marcado para sexta-feira (23), último grande encontro entre os candidatos antes da votação.

O que observar até domingo

O cenário desenhado pela Quaest é de uma eleição decidida nos detalhes. Com 2% de indecisos, a conquista de novos eleitores tem pouco espaço. Os fatores que tendem a pesar mais são:

  • Comparecimento: a abstenção pode alterar o resultado em uma disputa tão próxima, especialmente entre grupos que costumam faltar mais no segundo turno;
  • Rejeição: a queda da rejeição de Lula e a estabilidade da rejeição de Flávio indicam limites diferentes de crescimento;
  • Último debate: o encontro da Globo é a última oportunidade de exposição direta para os dois candidatos;
  • Repercussão dos sigilos: a forma como cada campanha vai explorar o tema nas últimas 72 horas pode influenciar a parcela ainda indefinida.

O peso do Vale do São Francisco na decisão

No Vale do São Francisco, a eleição presidencial é acompanhada em dois estados ao mesmo tempo. Do lado baiano, em cidades como Juazeiro, Sobradinho, Casa Nova e Curaçá, e do lado pernambucano, em Petrolina e municípios vizinhos, o resultado de domingo terá efeito direto sobre temas que fazem parte do dia a dia da região, como os programas de transferência de renda, os investimentos em infraestrutura, a agricultura irrigada e a política para o semiárido.

Com o Nordeste historicamente decisivo nas eleições presidenciais e o Bolsa Família aparecendo como o único recorte com mudança relevante na pesquisa, o eleitor da região está no centro da disputa. A votação do segundo turno acontece no domingo, 25 de outubro, das 8h às 17h, no horário de Brasília. O eleitor deve levar documento oficial com foto ou usar o e-Título.

O Portal O Vale Quer Saber segue acompanhando as pesquisas, os debates e a apuração do segundo turno, com atenção especial aos reflexos da eleição presidencial no Vale do São Francisco.

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FONTE/CRÉDITOS: Redação O Vale Quer Saber