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Os casos de violência contra a mulher sofrem um salto significativo em dias de jogos de futebol no Brasil, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O estudo aponta que os registros de lesão corporal dolosa no âmbito doméstico aumentam 28,9% quando ocorrem partidas do esporte no país.
Apresentado no evento do Grupo Mulheres do Brasil, em São Paulo, o levantamento mostra ainda um crescimento de 27,4% nos registros de ameaça. O impacto é ainda mais acentuado entre mulheres jovens de 15 a 29 anos, grupo que registra uma alta de 44,4% tanto em ameaças quanto em lesões corporais dolosas nas datas de jogos.
A pesquisa analisou ocorrências policiais e resultados de confrontos da Série A do Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores e Copa Sul-Americana entre 2023 e 2025. O levantamento cobriu cinco grandes capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre.
Segundo Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do FBSP, as datas de partidas já são fatores de risco comprovados. Ela defende que esse diagnóstico deve orientar a atuação das forças policiais e reforçar unidades especializadas, como as Delegacias da Mulher e as patrulhas de fiscalização de Medidas Protetivas de Urgência.
Além do setor público, a especialista ressalta o papel dos clubes de futebol como agentes essenciais de conscientização cultural e social. Brandão enfatiza que as agremiações possuem enorme apelo sobre a sociedade e precisam usar atletas, marcas e torcidas para desvincular o esporte de comportamentos agressivos em partidas de alta rivalidade.
Comparativo histórico reflete agravamento
O FBSP destaca que o estudo manteve a mesma metodologia aplicada em levantamentos anteriores para monitorar a evolução dos números. Em 2022, com estatísticas coletadas entre 2015 e 2018, as ameaças subiam 23,7% e as lesões 20,8% em dias de jogo.
A comparação entre os dois períodos revela um agravamento do cenário nacional. Os dados recentes mostram uma alta de 3,7 pontos percentuais nas ameaças e de 8,1 pontos percentuais nas agressões físicas em relação ao levantamento anterior.
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