Município de 4.280 habitantes do Sudoeste Paulista teve estabelecimento aprovado em edital para cidades sem cobertura; grupo de trabalho do Ministério da Saúde estuda levar telessaúde e exames às farmácias

Coronel Macedo tem 4.280 moradores, segundo o Censo 2022, e fica no Sudoeste Paulista, região de cidades pequenas, economia rural e longas distâncias até os polos regionais. Até 2025, a cidade não tinha nenhuma farmácia credenciada no Programa Farmácia Popular do Brasil, do Ministério da Saúde. Quem precisava retirar um remédio gratuito na rede credenciada tinha de procurar uma cidade vizinha.

O cenário mudou com o edital do Governo Federal de fevereiro de 2025, voltado exclusivamente a municípios sem cobertura. Coronel Macedo teve uma farmácia aprovada, e a lista de vagas de setembro de 2026 já registra uma das duas vagas da cidade como preenchida. Agora, o morador retira ali mesmo, de graça, os 41 itens do programa: remédios para hipertensão, diabetes, asma, colesterol e outras condições, além de anticoncepcionais, fraldas geriátricas e absorventes do Programa Dignidade Menstrual.

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O Sudoeste Paulista reúne 26 municípios, e a expansão continua. Na lista de setembro de 2026, outras cinco cidades da região tinham vagas abertas para novas farmácias credenciadas: Barão de Antonina, Bom Sucesso de Itararé, Campina do Monte Alegre, Nova Campina e Riversul. A abertura de vagas segue a Portaria GM/MS nº 12.091, publicada em agosto de 2026, que orienta o credenciamento pela análise dos vazios assistenciais.

Em uma cidade pequena, a farmácia credenciada é mais do que um balcão. Toda farmácia do programa precisa ter um farmacêutico responsável, com registro no conselho profissional, e segue as regras de controle definidas pelo Ministério da Saúde. Para muitos moradores, é o serviço de saúde mais próximo, muitas vezes com horário mais amplo, onde se tiram dúvidas sobre o uso do remédio e se mantém a rotina do tratamento.

É justamente esse papel que o Governo Federal quer ampliar. A Portaria GM/MS nº 12.091 autorizou a criação de um grupo de trabalho para estudar novos serviços no programa, como exames diagnósticos e monitoramento do tratamento, telessaúde e teleconsultas com profissionais habilitados, e estratégias para regiões vulneráveis ou com pouca cobertura. Entre as possibilidades em análise estão exames de sangue e urina e testes rápidos. O grupo se reuniu pela primeira vez em setembro, e as primeiras propostas são esperadas até o fim de 2026. São estudos, ainda sem data para chegar às farmácias.

Para uma cidade como Coronel Macedo, o potencial é evidente. Um hipertenso ou diabético que hoje precisa viajar para consultas e exames de acompanhamento poderia, no futuro, resolver parte disso perto de casa, com teleatendimento e monitoramento na farmácia credenciada.

Hoje, o essencial já está garantido: o remédio. Sem ele, o morador de uma cidade pequena teria de escolher entre pagar do próprio bolso, depender apenas do estoque da UBS ou viajar para buscá-lo. Pelas estimativas do Ministério da Saúde, a gratuidade representa economia de até R$ 8,8 mil por ano para uma família de quatro pessoas, valor que pesa muito em uma região de renda modesta. Sem esse apoio, o tratamento tende a parar, e a conta volta depois como internação.

A mesma portaria garante que essa expansão venha com controle: renovação da participação a cada dois anos, autorização eletrônica de cada retirada e multas de até 20% para as irregularidades mais graves. Coronel Macedo mostra o presente e o futuro do Farmácia Popular nas cidades pequenas: hoje, o remédio gratuito perto de casa; amanhã, talvez, um ponto de cuidado mais completo do SUS.

Sobre os autores: 

Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.

Fatima Crhistine é mestranda em Políticas Públicas pela Universidade Católica de Brasília (UCB), graduada em Economia e Pedagogia, com pós-graduação em Educação Parental e Socioemocional. Servidora Pública Federal cedida da Universidade Federal do ABC para a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde.