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O papa Leão XIV foi diagnosticado com câncer de pulmão nesta terça-feira (13), informou o Vaticano. O pontífice, de 71 anos, tem um adenocarcinoma pulmonar e passou por uma cirurgia para retirar o lobo inferior do pulmão direito, região onde o tumor estava localizado. O procedimento durou cerca de 90 minutos, foi concluído com sucesso e não registrou complicações.
De acordo com o comunicado médico, Leão XIV acordou normalmente após a anestesia e voltou ao quarto do hospital, onde se recupera. A nota é assinada pelo médico Luigi Carbone e pelo professor Stefano Margaritora, que integraram a equipe responsável pela operação, formada por quatro médicos.
Segundo o boletim, os exames feitos antes da cirurgia já indicavam o diagnóstico, que acabou confirmado durante o procedimento. O Vaticano ainda não informou quais serão as próximas etapas do tratamento. Por enquanto, de acordo com a Santa Sé, os médicos não falam em quimioterapia ou em outras terapias complementares, enquanto aguardam o resultado de novos exames.
O que diz o boletim médico sobre a cirurgia do papa Leão XIV
A equipe médica optou por retirar o lobo inferior do pulmão direito do papa por meio de técnica videoassistida, um método minimamente invasivo. A Sala de Imprensa do Vaticano chamou atenção para um termo usado no boletim: a remoção foi descrita como "radical". Na linguagem médica, isso indica que todo o tecido considerado suspeito foi retirado, com o objetivo de eliminar eventuais vestígios remanescentes do câncer.
Os principais pontos informados até agora são:
- Diagnóstico: adenocarcinoma pulmonar, um tipo de câncer de pulmão;
- Local do tumor: lobo inferior do pulmão direito;
- Procedimento: retirada do lobo por técnica videoassistida, sob anestesia geral;
- Duração: cerca de 90 minutos;
- Resultado: cirurgia concluída com sucesso e sem complicações;
- Linfonodos: também foram retirados e serão analisados para verificar se a doença se espalhou;
- Próximos passos: ainda não definidos; quimioterapia e outras terapias não estão em discussão neste momento.
Segundo a agência de notícias Associated Press, os médicos aplicaram anestesia geral e realizaram uma biópsia da lesão depois da retirada. Os linfonodos, pequenas estruturas do sistema linfático localizadas próximas ao pulmão, também teriam sido removidos e examinados. Até a divulgação do boletim, não havia informações sobre o resultado dessa análise.
O Vaticano informou ainda que o papa não tem nenhum outro problema de saúde conhecido.
Oração antes do procedimento
A cirurgia começou depois que profissionais de saúde rezaram o terço na capela do hospital. Segundo fontes ouvidas pela AP, o vigário de Roma, cardeal Baldassare Reina, conduziu um momento de oração e pediu apoio espiritual ao pontífice e aos demais pacientes internados.
"Vamos nos unir em oração, pedindo ao Senhor que ampare nosso bispo, o papa Leão, e conforte todos aqueles que estão hospitalizados aqui", disse o cardeal.
A referência ao papa como "nosso bispo" tem razão de ser: além de líder da Igreja Católica no mundo, o pontífice é também o bispo de Roma, função que é exercida no dia a dia, na administração da diocese, pelo cardeal vigário.
Papa revelou o nódulo durante celebração no domingo
A cirurgia já era esperada. O próprio Leão XIV tornou pública a descoberta do nódulo no último domingo (11), diante de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano. O anúncio surpreendeu quem acompanhava a celebração.
Na ocasião, o papa explicou que a lesão havia sido identificada em exames de rotina, em estágio inicial, e que o crescimento estava "bem controlado". Mesmo assim, os médicos recomendaram a retirada.
"Queridos amigos, durante alguns exames médicos recentes, os médicos encontraram um nódulo localizado em meu pulmão. Ele foi detectado em um estágio muito inicial e está bem localizado. Os médicos consideram a cirurgia adequada. Seguindo a orientação deles, decidi, portanto, submeter-me a uma operação para removê-lo. A cirurgia já está agendada para os próximos dias. Agradeço pela proximidade espiritual de vocês e confio-me às suas orações", disse o pontífice aos fiéis.
A mensagem também foi publicada nas redes sociais oficiais do papa. Segundo a imprensa italiana e internacional, a internação ocorre no Hospital Agostino Gemelli, em Roma, onde o Vaticano mantém um apartamento reservado aos pontífices desde o tempo de João Paulo II.
Agenda suspensa até 20 de outubro
O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, informou que a recuperação após a cirurgia deve levar cerca de uma semana. Por isso, na segunda-feira (12), o papa cancelou todos os compromissos públicos previstos até 20 de outubro, incluindo as audiências.
Mesmo internado, Leão XIV deve continuar despachando a partir do hospital, como já fizeram outros pontífices em períodos de tratamento. Na prática, isso significa que o papa segue acompanhando assuntos da Santa Sé, recebendo documentos e tomando decisões administrativas, ainda que com a agenda pública suspensa.
A decisão de manter o trabalho durante a internação também tem um aspecto institucional. O papa é o chefe de Estado da Cidade do Vaticano e o responsável final por nomeações de bispos, documentos oficiais e decisões de governo da Igreja. A continuidade desses despachos, mesmo em ritmo reduzido, sinaliza que a Santa Sé segue funcionando normalmente durante o período de recuperação.
Antes da cirurgia, a programação do pontífice previa uma viagem à América do Sul entre 6 e 17 de novembro, com passagens pela Argentina, pelo Uruguai e pelo Peru. Até o momento, o Vaticano não anunciou mudanças nesse roteiro.
Entenda o que é o adenocarcinoma pulmonar
O adenocarcinoma é o tipo mais comum de câncer de pulmão. Ele faz parte do grupo chamado câncer de pulmão de não pequenas células, que reúne a maior parte dos diagnósticos da doença. O nome vem da origem do tumor: ele se forma a partir de células glandulares, responsáveis pela produção de muco que reveste as vias aéreas.
Esse tipo de tumor costuma surgir nas regiões mais periféricas do pulmão e, com frequência, cresce de forma mais lenta do que outros tipos. Por isso, muitas vezes é descoberto em exames de imagem feitos por outros motivos, antes mesmo de causar sintomas, situação semelhante à descrita pelo papa ao relatar que o nódulo foi encontrado em exames recentes.
Embora o cigarro seja o principal fator de risco para o câncer de pulmão, o adenocarcinoma é também o tipo mais frequente entre pessoas que nunca fumaram. Exposição à poluição do ar, a substâncias químicas no ambiente de trabalho, ao gás radônio e histórico familiar estão entre os fatores associados à doença.
Por que o estágio inicial faz diferença
No câncer de pulmão, o momento do diagnóstico pesa diretamente nas chances de tratamento. Quando o tumor é descoberto ainda pequeno e restrito a uma área do pulmão, a cirurgia passa a ser a principal opção, com objetivo curativo. Nos casos avançados, quando a doença já se espalhou, o tratamento costuma envolver quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo.
A cirurgia preventiva também foi o caminho escolhido mesmo com o tumor descrito como controlado. Em nódulos pulmonares com suspeita de malignidade, a retirada precoce costuma ser preferida ao simples acompanhamento, justamente para evitar que a lesão avance e chegue a outras partes do corpo. A confirmação do diagnóstico durante a operação, por meio da biópsia, reforça a decisão tomada pela equipe médica.
É por isso que a análise dos linfonodos retirados é considerada uma etapa importante. O resultado ajuda os médicos a definir o estadiamento da doença, ou seja, em que fase ela está, e a decidir se há necessidade de algum tratamento complementar após a cirurgia. Essa é a informação que ainda falta para que o Vaticano detalhe os próximos passos.
Como funciona a cirurgia videoassistida no pulmão
O pulmão direito é dividido em três partes, chamadas lobos: superior, médio e inferior. O esquerdo tem dois. A retirada de um desses lobos recebe o nome de lobectomia e é considerada o procedimento padrão para tumores de pulmão em fase inicial, por permitir a remoção completa da lesão com margem de segurança.
Na técnica videoassistida, conhecida pela sigla em inglês VATS, o cirurgião não precisa abrir o tórax com um grande corte. Em vez disso, faz pequenas incisões entre as costelas, por onde passam uma microcâmera e os instrumentos cirúrgicos. As imagens são exibidas em um monitor, que guia toda a operação.
Entre as vantagens geralmente associadas a esse método estão:
- Menos dor no pós-operatório;
- Cicatrizes menores;
- Menor perda de sangue durante a cirurgia;
- Recuperação mais rápida e menor tempo de internação;
- Retorno mais rápido às atividades do dia a dia.
Uma pessoa pode viver normalmente sem um dos lobos pulmonares. Após a cirurgia, a parte restante do pulmão assume a função respiratória, e a recuperação costuma incluir fisioterapia respiratória e acompanhamento médico periódico. A previsão de cerca de uma semana de recuperação divulgada pelo Vaticano é compatível com esse tipo de procedimento.
Quem é o papa Leão XIV
Leão XIV, nome adotado pelo cardeal norte-americano Robert Francis Prevost, foi eleito em 8 de maio de 2025, após a morte do papa Francisco. Nascido em Chicago, nos Estados Unidos, em 1955, ele é o primeiro papa norte-americano da história da Igreja Católica.
Antes de chegar ao comando da Igreja, Prevost construiu boa parte de sua trajetória na América Latina. Integrante da Ordem de Santo Agostinho, atuou por muitos anos como missionário no Peru, onde foi bispo de Chiclayo e se naturalizou peruano. Essa ligação com o continente é frequentemente lembrada por fiéis latino-americanos, incluindo os brasileiros.
A saúde dos papas e o acompanhamento dos fiéis
A saúde dos pontífices costuma mobilizar a atenção de católicos em todo o mundo. Nos últimos anos, o papa Francisco passou por uma cirurgia no intestino em 2021 e, em 2025, ficou internado por mais de um mês com uma pneumonia dupla. Francisco também convivia com a ausência de parte de um dos pulmões, retirada ainda na juventude, na Argentina.
João Paulo II, por sua vez, foi internado diversas vezes no Hospital Gemelli ao longo do pontificado, em situações que incluíram cirurgias e o tratamento após o atentado sofrido em 1981.
No caso de Leão XIV, o Vaticano tem adotado a divulgação de boletins médicos para informar o estado de saúde do papa, prática que se tornou comum nos últimos pontificados.
Câncer de pulmão também é desafio de saúde no Brasil
O diagnóstico do papa chama atenção para uma doença que tem grande impacto no Brasil. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o período de 2026 a 2028, o câncer de pulmão aparece como o terceiro mais frequente entre os homens e o quarto entre as mulheres, sem considerar o câncer de pele não melanoma.
A doença também está entre as que mais matam no país, principalmente porque grande parte dos casos ainda é descoberta em fase avançada. Os sintomas costumam aparecer tarde e podem ser confundidos com outros problemas respiratórios.
Entre os sinais que merecem atenção e avaliação médica estão:
- Tosse persistente ou mudança no padrão de uma tosse antiga;
- Presença de sangue no catarro;
- Falta de ar sem causa aparente;
- Dor no peito;
- Rouquidão que não passa;
- Perda de peso sem explicação;
- Infecções respiratórias, como pneumonia, que se repetem.
A principal forma de prevenção continua sendo não fumar e evitar a exposição à fumaça do cigarro. Para pessoas com histórico de tabagismo intenso, a tomografia de baixa dose é um exame que pode ajudar a identificar nódulos pequenos, e a indicação deve ser avaliada por um médico. No Sistema Único de Saúde (SUS), o primeiro passo para quem tem sintomas é procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima, que faz o encaminhamento para exames e especialistas quando necessário.
O que se sabe e o que ainda falta saber
Até o momento, as informações oficiais indicam que a cirurgia foi bem-sucedida, que todo o tecido suspeito foi retirado e que o papa se recupera sem complicações. O Vaticano ainda aguarda o resultado da análise dos linfonodos e de outros exames, que vão orientar a decisão sobre a necessidade ou não de tratamentos complementares.
Novos boletins médicos devem ser divulgados pela Sala de Imprensa da Santa Sé ao longo dos próximos dias. O Portal O Vale Quer Saber acompanha a recuperação do papa Leão XIV e atualiza as informações à medida que forem divulgadas oficialmente.
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