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No Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, celebrado nesta quinta-feira (10), profissionais de saúde mental alertam que o vício em apostas virtuais tem agravado o sofrimento psíquico de pacientes no Brasil, exigindo ações urgentes de prevenção ao suicídio durante os tratamentos clínicos.
Especialistas da área ouvidos pela Agência Brasil destacam que parentes e amigos devem permanecer atentos a sinais claros de risco. Mudanças drásticas de comportamento, afastamento social, desesperança, aumento no consumo de álcool e falas sobre desistir da vida exigem busca imediata por auxílio profissional.
A psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti do Hospital das Clínicas de São Paulo, defende que a ideação suicida seja debatida abertamente. Segundo ela, pacientes que buscam tratamento para a ludopatia — o desejo incontrolável de jogar — costumam apresentar quadros graves de ansiedade, depressão e severos prejuízos financeiros.
A relação entre dopamina e vício
O neurocirurgião Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema no Rio de Janeiro, explica que o ato de apostar estimula a liberação de dopamina no cérebro. Essa expectativa de recompensa altera áreas responsáveis pelo controle de decisões, fazendo com que o sistema de recompensa se sobreponha aos mecanismos de autocontrole.
Maia pondera que pensamentos extremos surgem com o aprofundamento da depressão e da frustração contínua. Para conter esse ciclo, o médico ressalta a necessidade de tratamentos multidisciplinares que unam medicina, psicologia e exercícios físicos, associados ao apoio do Centro de Valorização da Vida (CVV).
Acolhimento familiar e rede de apoio
Muitas vezes, a pessoa dependente não reconhece o problema de forma autônoma. Conforme detalha Katia Branco, os familiares acompanham de perto o endividamento gradual, testemunhando o surgimento de transtornos severos como depressão e ansiedade decorrentes do isolamento e das perdas financeiras acumuladas.
A psicóloga Claudia Feres, que atua em um Centro de Apoio Psicossocial (Caps) no Distrito Federal, reforça que o pedido de ajuda é um sinal de socorro desesperado. Ela defende o acolhimento conjunto com a família, lembrando que o problema ultrapassa o indivíduo e exige soluções coletivas.
Acesso facilitado pelas plataformas online
A psiquiatra Giovanna Quinet, da Clínica Revitalis no Rio de Janeiro, explica que o perigo se consolida quando o jogo deixa de ser lazer e passa a ser o centro da vida do indivíduo. A facilidade de acesso às apostas online pelo celular, disponível 24 horas por dia, acelera esse ciclo nocivo.
A tentativa de recuperar perdas financeiras gera dívidas, culpa, insônia e isolamento, elevando o risco de comportamentos autodestrutivos. Quinet reforça que conversar sobre o tema não induz o ato, mas abre portas para que a pessoa expresse seus sentimentos e receba o tratamento médico cabível.
Posicionamento do setor e canais de ajuda
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) reconhece a relevância do debate sobre o jogo problemático. A entidade destaca que, com o mercado regulado a partir de janeiro de 2025, as empresas passam a operar sob regras rígidas de publicidade e proteção ao consumidor, exigindo atuação conjunta entre governo e sociedade.
Em situações de emergência, a recomendação é nunca deixar a pessoa sozinha. O atendimento do Samu pode ser acionado pelo telefone 192, enquanto o CVV oferece apoio emocional gratuito pelo número 188. A Rede de Atenção Psicossocial do SUS também disponibiliza atendimento público através dos Caps.
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