Especialistas em direito digital avaliam que a ordem para derrubar o canal Exército do Lula no WhatsApp, que reunia milhões de adeptos e foi restabelecida posteriormente, prejudica diretamente a campanha presidencial e limita a articulação dos votantes. A medida adotada pelo Tribunal Superior Eleitoral gerou intensos debates sobre os limites da atuação da Justiça.

Bruna Santos, representante da Witness, classificou a conduta como desproporcional. Para ela, a restrição total funcionou como uma tentativa de enfraquecer o alcance do grupo político e divergiu de entendimentos anteriores da própria Corte.

Segundo a especialista, o correto seria solicitar apenas a remoção de materiais apontados como irregulares. A exclusão de todo o espaço configuraria, portanto, uma intervenção de caráter político às vésperas da votação.

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Reversão e repercussão

A ordem inicial partiu do ministro Kassio Nunes Marques e gerou forte repercussão entre os principais atores políticos do país. Enquanto aliados do presidente classificaram a ação como censura, a oposição cobrou rigor contra conteúdos falsos.

Pouco tempo depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva, suspendeu os efeitos da decisão anterior. Com isso, o caso foi liberado para análise definitiva no plenário do tribunal.

Debate sobre fake news

O pesquisador Henrique Sampaio argumenta que o rótulo de desinformação não pode servir de pretexto para suprimir espaços de organização legítima. Para ele, infrações pontuais exigem medidas cirúrgicas, e não o banimento de coletivos inteiros.

O magistrado responsável pela ordem inicial justificou que mensagens em massa exigem ações enérgicas, pois a remoção individual de conteúdos se mostraria ineficaz diante da velocidade de propagação nas redes sociais.

FONTE/CRÉDITOS: Redação O Vale Quer Saber