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Em uma série de caravanas políticas por comunidades de Juazeiro, o prefeito Andrei Gonçalves (MDB) tem reafirmado seu alinhamento com o núcleo político que sustenta o governo do Estado e a candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT). Nos encontros, o prefeito tem apresentado ao eleitorado local o que descreve como "seu grupo político" para as eleições de 2026, formado por nomes ligados ao PT, ao PCdoB e ao próprio MDB — movimento que reforça a leitura de que Juazeiro pode se tornar um dos principais polos de transferência de votos na região do Vale do São Francisco.
Eleito em 2024 com 48,85% dos votos, Andrei Gonçalves administra um município com cerca de 160 mil eleitores — um dos maiores colégios eleitorais fora da capital baiana. Esse volume de eleitores é justamente o que torna a cidade estrategicamente relevante para candidatos a cargos estadual e federal que buscam ampliar sua base fora de Salvador, e é também o que dá ao prefeito margem para negociar apoios com peso político.
Caravanas como vitrine da aliança
Segundo registros dos encontros nas comunidades juazeirenses, o prefeito tem reforçado publicamente o apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial, a Jerônimo Rodrigues (PT) na tentativa de reeleição ao governo baiano, e a nomes como o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa — duas lideranças históricas do PT baiano que seguem influentes na articulação política do estado.
Na esfera legislativa, o nome mais destacado nesses eventos tem sido o de Jaime "Jayminho" Vieira Lima, pré-candidato a deputado federal pelo MDB e primo dos também políticos Geddel Vieira Lima e Lúcio Vieira Lima — uma das famílias com maior tradição na política baiana. A proximidade partidária (o próprio MDB de Andrei) e o sobrenome de peso fazem de Jayminho o nome federal mais diretamente vinculado ao grupo do prefeito.
Ao comentar o desenho dessas alianças, o prefeito adotou um tom pragmático, sinalizando abertura a apoios de diferentes campos: "Nós não vamos aqui criar dificuldade nenhuma pra quem quer ajudar", afirmou, ao justificar por que recebe bem qualquer parlamentar dispostos a destinar recursos ao município — postura que, segundo observadores, tende a valorizar mais a capacidade de trazer emendas e investimentos do que a fidelidade estritamente partidária.
O núcleo estadual: three nomes com histórico na Assembleia
Entre os deputados estaduais mencionados nas caravanas de Andrei estão três nomes que já têm mandato e buscam reeleição à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba):
Zó do Sertão (Crisostomo Antonio Lima, PCdoB) está em seu terceiro mandato como deputado estadual. Nascido em Xique-Xique, construiu base política em Juazeiro como técnico agrícola, foi vereador por três mandatos — presidiu inclusive a Câmara Municipal — e ocupou as secretarias municipais de Assistência e Igualdade Social e de Cultura. Filiado ao PCdoB desde 1988, tem como bandeiras o desenvolvimento regional, a agricultura, a cultura e a defesa dos interesses do Vale do São Francisco.
Roberto Carlos (Roberto Carlos Almeida Leal, PV, na federação PT/PCdoB/PV) é o nome mais longevo do grupo: está na Assembleia desde 2003. Natural de Uauá, construiu sua base em Juazeiro, foi vereador do município e é fundador e presidente da Sociedade Desportiva Juazeirense. Suas pautas históricas incluem agricultura, esporte, desenvolvimento regional, infraestrutura, meio ambiente e recursos hídricos.
Juvenilson Passos (Juvenilson Passos dos Santos, PT) chega a esta disputa estadual como estreante no cargo, mas não na vida pública: é engenheiro agrônomo, já foi vereador e prefeito de Sento Sé por dois mandatos, atuou como gerente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e ocupou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Juazeiro. Suas pautas centrais são desenvolvimento regional, saúde, educação e infraestrutura.
Os três integram partidos que compõem a base histórica de Jerônimo Rodrigues (PT, PCdoB e a federação que inclui o PV), o que explica por que aparecem juntos nas manifestações de apoio do prefeito — um alinhamento que combina proximidade ideológica com capital político local já consolidado.
Lucas Reis e a costura com Jaques Wagner
Na disputa federal, o nome que aparece mais diretamente ligado a esse mesmo campo é o de Lucas Reis (PT), pré-candidato a deputado federal com trajetória construída em articulação com o senador Jaques Wagner. Diferentemente de Jayminho — citado nas caravanas como parte do grupo formalmente reforçado pelo prefeito — a menção a Lucas Reis por parte de Andrei tem um caráter distinto: o prefeito o descreveu como um nome sem mandato atual, mas com tendência a puxar votos expressivos em Juazeiro, dado o alinhamento com a ala de Wagner dentro do PT. É, portanto, um voto de expectativa política mais do que um endosso formal equivalente ao dado a Jayminho — distinção que vale registrar para não igualar os dois tipos de apoio.
Leonardo Bandeira: proximidade regional, sem aliança confirmada
Também citado como nome com ligação à região está Leonardo Bandeira (Joseph Leonardo Aquilles Cordeiro Bandeira), advogado de 47 anos, natural de Juazeiro, que disputa a Câmara Federal pelo PSD após migrar do PSB durante a última janela partidária. Bandeira tem trajetória política construída ao longo dos anos no município e reforça, em suas próprias manifestações públicas, o compromisso com Juazeiro.
É importante registrar, no entanto, que — até o momento desta publicação — não há confirmação pública de que Bandeira integre formalmente o grupo político reforçado por Andrei Gonçalves nas caravanas recentes. Sua proximidade com a região é de natureza biográfica e de carreira, não necessariamente uma aliança declarada com o prefeito.
O que está em jogo: transferência de votos e teto eleitoral
Do ponto de vista da análise eleitoral, o movimento de Andrei Gonçalves segue um roteiro clássico de política municipal em ano de eleição estadual e federal: um prefeito recém-eleito, com força comprovada nas urnas e um colégio eleitoral robusto, tende a funcionar como "cabo eleitoral" de fato para os nomes de seu campo político, na expectativa de que parte do eleitorado que votou nele em 2024 replique esse voto nos candidatos que ele agora respalda.
Esse tipo de transferência, porém, não é automática nem garantida — depende de fatores como o grau de exposição midiática do prefeito até a eleição, a capacidade de cada candidato de manter presença própria no território, e a disputa por espaço dentro do mesmo campo político. Vale notar, por exemplo, que Roberto Carlos e Juvenilson Passos disputam vagas estaduais pela mesma federação (PT/PCdoB/PV), o que pode gerar concorrência por parte do mesmo eleitorado de esquerda em Juazeiro, mesmo estando ambos no grupo apoiado pelo prefeito.
Também é preciso considerar o "teto eleitoral" de cada nome: Zó do Sertão, com três mandatos consecutivos, e Roberto Carlos, com mandato ininterrupto desde 2003, já testaram seu limite de crescimento em pleitos anteriores — a incógnita é se o reforço público de Andrei é suficiente para ampliar esse teto ou apenas para blindar o que já é uma base consolidada.
Um jogo mais amplo que o próprio grupo
Vale registrar que a postura de Andrei não se limita ao alinhamento partidário estrito. Ao afirmar que não criará "dificuldade nenhuma pra quem quer ajudar" o município, o prefeito deixou entendido que outros parlamentares fora desse núcleo — inclusive de partidos que não integram a base de Jerônimo Rodrigues — também têm espaço para atuar em Juazeiro, desde que tragam recursos e investimentos para a cidade. Essa é uma sinalização de pragmatismo administrativo que convive, sem necessariamente contradizer, com o alinhamento político mais explícito demonstrado nas caravanas.
Fora do grupo mencionado pelo prefeito, a disputa em Juazeiro segue com outros nomes não vinculados a essa articulação — entre eles candidatos estreantes e postulantes de outros campos partidários tanto na disputa estadual quanto na federal —, o que reforça que o cenário eleitoral no município permanece fragmentado e em aberto, apesar do movimento de aproximação liderado pelo prefeito.
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