O horário eleitoral gratuito do primeiro turno das eleições 2026 começa a ser veiculado nesta sexta-feira (28) nas emissoras de rádio e televisão de todo o país. A propaganda vai ao ar até o dia 1º de outubro, véspera da votação, marcada para o dia 4 de outubro. Durante os 35 dias de veiculação, os candidatos aos cargos em disputa terão direito a dois blocos diários de 25 minutos para apresentar suas propostas ao eleitor, além de inserções mais curtas espalhadas ao longo da programação normal das emissoras.

Como funciona a divisão dos horários no rádio e na TV

No rádio, os blocos vão ao ar às 7h e ao meio-dia. Na televisão, os horários são às 13h e às 20h30. A programação segue um rodízio de dias por tipo de cargo: às terças, quintas e sábados, o tempo é reservado à campanha para a Presidência da República e para deputado federal. Já nas segundas, quartas e sextas-feiras, os blocos priorizam os candidatos a senador, deputado estadual, distrital e governador.

Esse formato se repete diariamente até o fim do período estabelecido pelo calendário eleitoral, complementado pelas inserções diárias — pequenos comerciais de campanha distribuídos ao longo da grade normal das emissoras, fora dos blocos principais de 25 minutos.

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Presidência entra no ar neste sábado (29)

Embora o horário eleitoral tenha começado nesta sexta-feira (28), a propaganda voltada especificamente ao cargo de presidente da República só entra no ar neste sábado (29), no segundo dia do calendário oficial. Isso acontece porque, conforme o rodízio de dias, o primeiro bloco de sexta-feira é destinado a cargos estaduais e ao Senado, e a Presidência aparece pela primeira vez apenas no bloco de sábado, junto com deputado federal.

A distribuição do tempo entre as candidaturas presidenciais ficou assim definida:

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As demais legendas concorrentes à Presidência não atingiram a cláusula de desempenho necessária para ter direito a tempo de propaganda no rádio e na TV, ainda que seus candidatos permaneçam aptos a disputar o pleito.

Como é organizado o conteúdo dos blocos eleitorais

Cada partido ou coligação tem liberdade para definir o formato do próprio bloco dentro do tempo que lhe cabe: discursos de candidatos, depoimentos de eleitores, cenas externas de campanha ou spots publicitários mais curtos costumam se alternar dentro dos 25 minutos diários. A legislação eleitoral veda o uso de recursos como trucagem, montagem ou computação gráfica que possam degradar ou ridicularizar um adversário, além de proibir a veiculação de propaganda paga em rádio e televisão fora desses blocos institucionais.

O horário eleitoral gratuito é bancado por meio de renúncia fiscal: as emissoras não recebem pagamento das campanhas ou dos partidos pelo tempo cedido, mas têm direito a compensação por meio de abatimento de impostos federais. É esse modelo que garante, ao mesmo tempo, gratuidade para os candidatos e equilíbrio de acesso à mídia de massa durante o período eleitoral, sem que o custo da propaganda dependa do caixa de campanha de cada legenda.

Historicamente, o horário eleitoral gratuito segue sendo um dos poucos espaços de campanha em que candidaturas com menos recursos financeiros conseguem alcançar o mesmo público de massa das candidaturas mais bem financiadas, ainda que em tempo proporcionalmente menor. É também o principal canal de campanha entre eleitores mais velhos e em regiões com acesso mais limitado à internet, público relevante em boa parte do interior do Nordeste, incluindo cidades do Vale do São Francisco.

Critérios de distribuição do tempo de TV e rádio

O tempo de antena de cada partido ou coligação é definido a partir do peso e da representatividade das siglas na Câmara dos Deputados: quanto maior a bancada federal conquistada nas eleições anteriores, maior o tempo de propaganda garantido por lei. As alianças partidárias também influenciam diretamente esse cálculo. Ao reunir siglas em uma coligação, uma candidatura soma as bancadas de todos os partidos aliados, o que amplia o tempo total disponível.

É esse mecanismo que explica, por exemplo, a distância entre o tempo da candidatura de Lula — apoiada por uma coligação de cinco legendas — e o tempo do PL, concorrendo com uma base menor de aliados formais. Já as legendas menores, sem grande bancada ou aliança relevante, ficam abaixo da cláusula de desempenho e não têm direito a tempo de TV e rádio nos blocos eleitorais.

A cláusula de desempenho foi instituída justamente para reduzir a fragmentação do tempo eleitoral entre uma quantidade excessiva de siglas. Na prática, ela exige que o partido tenha obtido um patamar mínimo de votos ou de representação na Câmara dos Deputados na eleição anterior para ter acesso proporcional ao tempo de rádio e TV e a parte do fundo eleitoral. Partidos que ficam abaixo desse patamar continuam aptos a lançar candidatos e a fazer campanha por outros meios — como redes sociais, eventos e material impresso — mas não aparecem nos blocos institucionais do horário eleitoral gratuito.

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O que o tempo de TV pode significar na disputa presidencial

O tempo de televisão e rádio não é um dado meramente protocolar: costuma pesar na dinâmica da campanha, sobretudo entre eleitores que ainda não decidiram o voto. Levantamento da Genial/Quaest divulgado em agosto mostrou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na dianteira da corrida presidencial, com 39% e 30% das intenções de voto na pesquisa estimulada, respectivamente. No cenário de segundo turno entre os dois, a distância caiu de 16 pontos percentuais, em agosto de 2025, para apenas 5 pontos um ano depois — o estreitamento mais acentuado registrado pela série histórica do instituto.

Nesse contexto de disputa mais equilibrada, a vantagem de tempo de TV da coligação de Lula — 5min31s diários contra 4min20s do PL — pode funcionar como uma ferramenta a mais para tentar conter o avanço de Flávio Bolsonaro, embora tempo de exposição, isoladamente, não garanta variação nas pesquisas. A mesma pesquisa mostrou que Lula e Flávio já romperam a barreira dos 50% de rejeição entre os entrevistados, o que indica que ambos estão mais perto do próprio teto eleitoral do que de um espaço de crescimento acentuado — cenário em que cada minuto adicional de exposição tende a ter peso relativamente maior na disputa pelos indecisos.

Já o tempo reservado a Ronaldo Caiado (PSD), de 2min02s, é compatível com sua posição de terceira via na pesquisa estimulada (4%), com viabilidade hoje mais concentrada em bases regionais do que em alcance nacional. O tempo do Avante, de apenas 35 segundos, reflete o mesmo critério de bancada: sem grande representação na Câmara nem alianças que ampliem esse número, a legenda entra na disputa televisiva com o menor espaço entre as candidaturas que atingiram a cláusula de desempenho.

Nordeste, Bahia, Pernambuco e Vale do São Francisco: por que o horário eleitoral importa por aqui

Para o eleitor do Nordeste — região onde está inserido o Vale do São Francisco, entre Bahia e Pernambuco — o início do horário eleitoral tem um componente extra: é a partir de agora que os candidatos à Presidência passam a disputar, de forma sistemática, um dos territórios mais decisivos do país para o resultado final da eleição. O boletim mais recente da Genial/Quaest mostrou o governo Lula com 66% de aprovação no Nordeste, contra 29% de desaprovação — o dado regional mais favorável ao presidente entre todas as macrorregiões pesquisadas. No primeiro turno, a mesma pesquisa apontou Lula com 59% das intenções de voto na região, contra 20% de Flávio Bolsonaro.

Vale uma ressalva metodológica: os números da Quaest têm recorte por macrorregião (Nordeste agregado), não por estado, o que significa que não é tecnicamente correto extrair desse levantamento um percentual específico para Bahia ou Pernambuco. Ainda assim, historicamente os dois estados figuram entre os de maior enraizamento eleitoral do PT e de Lula na região, o que é consistente com o padrão agregado mostrado pela pesquisa.

Com o início da veiculação no rádio e na TV, a expectativa é que as campanhas presidenciais passem a investir de forma mais direta em conteúdo voltado à realidade nordestina — o que inclui temas caros ao Vale do São Francisco, como infraestrutura hídrica, irrigação e força do agronegócio irrigado, além da dependência regional de programas sociais federais. Falta a Flávio Bolsonaro, segundo a mesma pesquisa, avançar justamente nesse território: seu piso de 20% no primeiro turno no Nordeste é o mais baixo entre todas as regiões pesquisadas, o que torna a exposição obtida agora pelo horário eleitoral gratuito um dos poucos instrumentos disponíveis para tentar reverter esse cenário antes de outubro.

Vale lembrar que o mesmo calendário que hoje começou a levar os presidenciáveis à tela também abrange, em dias alternados, as disputas ao governo da Bahia e de Pernambuco. Nas segundas, quartas e sextas-feiras, os blocos de 25 minutos são dedicados aos candidatos a senador, deputado estadual, distrital e governador — o que significa que, já nesta sexta-feira (28), primeiro dia do calendário, quem foi ao ar no rádio e na TV foram justamente os postulantes aos governos estaduais e ao Senado, e não ainda os presidenciáveis. Para o eleitor do Vale do São Francisco, isso implica acompanhar dois calendários simultâneos de exposição: um voltado à disputa nacional pela Presidência, outro às disputas estaduais que definem diretamente a gestão de Bahia e Pernambuco nos próximos quatro anos.

Segundo turno: quando a propaganda volta ao ar

Caso nenhum candidato alcance a maioria absoluta dos votos válidos no dia 4 de outubro, a disputa presidencial — e as demais que também tiverem segundo turno — segue para uma nova rodada no dia 25 de outubro. Nesse cenário, o horário eleitoral gratuito é retomado entre os dias 9 e 23 de outubro, exclusivamente para os candidatos que avançarem à etapa final.

Calendário das eleições 2026

O primeiro turno das eleições 2026 está marcado para o dia 4 de outubro, quando serão definidos os representantes do Poder Legislativo — deputados federais, estaduais e distritais, além de senadores — e os chefes do Poder Executivo estadual e federal, incluindo a Presidência da República. Um eventual segundo turno, necessário caso nenhum concorrente alcance a maioria absoluta dos votos válidos para os cargos majoritários, ocorre no dia 25 de outubro.

Até lá, o horário eleitoral gratuito segue no ar diariamente, com blocos de 25 minutos no rádio (7h e meio-dia) e na televisão (13h e 20h30), intercalando dias dedicados à Presidência e à Câmara dos Deputados com dias voltados ao Senado, aos governos estaduais e às Assembleias Legislativas.

A partir de agora, o horário eleitoral gratuito se soma às pesquisas de intenção de voto como um dos principais termômetros da corrida presidencial de 2026. Com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente mais próximos do que em qualquer momento da série histórica da Quaest, os 35 dias de exposição no rádio e na TV devem funcionar como um capítulo decisivo da disputa rumo às urnas de outubro.

Nas próximas semanas, a tendência é que o conteúdo dos blocos vá se ajustando ao clima da campanha: réplicas a declarações de adversários, resposta a pesquisas divulgadas e reforço de pautas regionais tendem a ganhar espaço à medida que o dia 4 de outubro se aproxima. Para o eleitorado do Vale do São Francisco, acompanhar tanto os blocos presidenciais quanto os estaduais ao longo dos próximos 35 dias será a forma mais direta de comparar, lado a lado e sem intermediação de terceiros, o que cada candidatura está efetivamente propondo para o país e para a região.

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FONTE/CRÉDITOS: Redação O Vale Quer Saber