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Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito governador da Bahia neste domingo (4) e vai comandar o estado por mais quatro anos. A reeleição de Jerônimo Rodrigues foi definida já no primeiro turno, com 4.626.509 votos, o equivalente a 55,80% dos votos válidos.
O principal adversário foi, mais uma vez, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que terminou a disputa com 43,73%. A diferença entre os dois passou de 12 pontos percentuais, o que representa cerca de 1 milhão de votos.
Os demais candidatos ao Palácio de Ondina somaram, juntos, menos de 1% dos votos válidos:
- Ronaldo Mansur (PSOL)
- Aroldo Felix (UP)
- Maria Bona (PCO)
- Ariel Capistrano (DC)
O novo mandato começa em 6 de janeiro de 2027 e vai até 2030.
O placar da eleição para governador da Bahia
O resultado encerra uma disputa que voltou a colocar frente a frente os mesmos dois principais nomes de 2022. Desta vez, porém, a decisão não precisou de segundo turno.
Os números finais da corrida ao governo baiano ficaram assim:
- Jerônimo Rodrigues (PT): 55,80% dos votos válidos (4.626.509 votos)
- ACM Neto (União Brasil): 43,73% dos votos válidos
- Demais candidatos: menos de 1% somados
- Diferença entre os dois primeiros: mais de 12 pontos percentuais, ou cerca de 1 milhão de votos
Na prática, a vantagem de Jerônimo foi suficiente para dispensar o segundo turno com folga. Pela legislação eleitoral, um candidato a governador vence no primeiro turno quando alcança mais da metade dos votos válidos, que são aqueles dados a candidatos, sem contar brancos e nulos. O petista ficou quase seis pontos acima dessa linha.
Uma vitória mais folgada que a de 2022
A comparação com a eleição passada mostra que o governador ampliou sua força nas urnas. Em 2022, Jerônimo só confirmou a vitória sobre ACM Neto no segundo turno, com 52,79% dos votos. Naquela ocasião, a diferença final foi de pouco mais de cinco pontos percentuais.
Quatro anos depois, o cenário mudou em três pontos principais:
- A disputa foi resolvida no primeiro turno, sem necessidade de nova votação;
- O percentual de Jerônimo subiu de 52,79% (no segundo turno de 2022) para 55,80% (no primeiro turno de 2026);
- A distância para o adversário mais que dobrou, passando de cerca de 5 pontos para mais de 12.
Para ACM Neto, o resultado representa a segunda derrota seguida na corrida pelo governo da Bahia. Ex-prefeito de Salvador por dois mandatos, ele era apontado desde o início do ciclo eleitoral como o principal nome da oposição ao grupo que governa o estado.
O que as pesquisas indicavam
O desfecho chama atenção quando comparado ao que algumas pesquisas mostravam ao longo do ano. A pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho, com coleta entre 23 e 27 daquele mês, apontava empate técnico no primeiro turno, com ACM Neto numericamente à frente (39% a 38%), e o candidato do União Brasil em vantagem na simulação de segundo turno (43% a 39%).
Os mesmos dados, porém, já traziam sinais que ajudam a entender o resultado. A aprovação do governo estadual estava em 57%, e a base de Jerônimo aparecia consolidada: ele tinha 38% tanto na pesquisa espontânea quanto na estimulada, o que indica eleitores que já haviam decidido o voto sem precisar ver a lista de candidatos. Na mesma pesquisa, a aprovação do presidente Lula no estado variava entre 60% e 69%.
A diferença entre o retrato de julho e o resultado de outubro reforça uma regra básica da leitura eleitoral: pesquisa é um retrato do momento, e não uma previsão. Entre a coleta e o dia da votação, houve campanha de rua, horário eleitoral gratuito no rádio e na TV e a definição final de alianças, fatores que costumam mover parte do eleitorado indeciso.
Chapa, alianças e o peso do apoio regional
Jerônimo concorreu ao lado do atual vice-governador, Geraldo Júnior (MDB), repetindo a dupla que venceu em 2022. A chapa foi sustentada pela coligação "Mais Bahia, Mais Brasil", formada por:
- PDT
- MDB
- PSB
- PSD
- Avante
- Federação Brasil da Esperança
A amplitude da aliança foi um dos trunfos da campanha governista. A coligação reuniu partidos com forte presença nas prefeituras do interior, o que amplia a capilaridade da campanha em cidades pequenas e médias, onde o contato direto com lideranças locais costuma pesar na decisão do eleitor.
Andrei Gonçalves e o apoio em Juazeiro
No Vale do São Francisco, um dos apoios de destaque foi o do prefeito de Juazeiro, Andrei Gonçalves (MDB). Filiado ao mesmo partido do vice-governador Geraldo Júnior, o prefeito esteve alinhado à candidatura de Jerônimo na disputa estadual.
O apoio tem peso estratégico. Juazeiro é o principal polo urbano do Vale do São Francisco no lado baiano e foi, historicamente, um terreno mais difícil para o governador. Em 2022, ACM Neto venceu na cidade no segundo turno, com 52,21% dos votos contra 47,79% de Jerônimo, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Já nos municípios do entorno, o petista teve desempenho amplamente favorável naquela eleição. No segundo turno de 2022, Jerônimo obteve:
- 71,25% em Casa Nova
- 69,34% em Sobradinho
- 68,89% em Curaçá
- 63,99% em Sento Sé
Esse contraste entre o polo urbano e as cidades de perfil mais rural tornava o apoio do prefeito de Juazeiro especialmente relevante para a estratégia do governador na região em 2026.
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Quem é Jerônimo Rodrigues
Jerônimo Rodrigues é engenheiro agrônomo e professor universitário. Antes de chegar ao comando do estado, construiu a carreira na gestão pública em áreas ligadas ao desenvolvimento rural e à educação.
Entre os cargos que ocupou estão:
- Secretário estadual de Desenvolvimento Rural da Bahia;
- Secretário estadual de Educação da Bahia;
- Secretário nacional de Desenvolvimento Territorial.
Em 2022, ao vencer sua primeira eleição para o governo, Jerônimo se tornou o primeiro governador autodeclarado indígena da história do Brasil. A trajetória técnica, ligada ao campo e à sala de aula, foi um dos pontos explorados pela campanha governista para dialogar com o eleitor do interior, onde a agricultura familiar e o acesso à educação têm peso no dia a dia das famílias.
A formação em agronomia também conversa com a realidade do Vale do São Francisco, região cuja economia depende em grande parte da agricultura irrigada, da fruticultura de exportação e dos programas de apoio ao pequeno produtor.
O que disse o governador após a vitória
Depois da confirmação do resultado, Jerônimo avaliou que o desfecho estava dentro do esperado pela campanha.
"O resultado estadual não nos surpreendeu", afirmou o governador.
Ele atribuiu a vitória à aprovação da sua gestão ao longo dos últimos quatro anos. Nas redes sociais, Jerônimo agradeceu aos eleitores:
"A Bahia vai seguir avançando! Chegamos até aqui, porque cada baiano e cada baiana acreditou no nosso projeto."
O governador também reforçou o apoio ao presidente Lula (PT) na disputa presidencial, sinalizando que o grupo político vai se mobilizar na Bahia para a candidatura do petista à Presidência da República.
PT chega a 24 anos seguidos no comando da Bahia
Com a reeleição de Jerônimo, o PT vai completar 24 anos consecutivos à frente do governo baiano ao fim do novo mandato, em 2030. A sequência começou em 2007, com a posse de Jaques Wagner, que governou por dois mandatos.
Depois de Wagner, o estado foi comandado por Rui Costa, também por dois mandatos consecutivos. Em 2022, Jerônimo foi eleito como sucessor de Rui e, agora, garante a continuidade do grupo por mais quatro anos.
A linha do tempo do PT no governo da Bahia fica assim:
- 2007 a 2014: Jaques Wagner (dois mandatos)
- 2015 a 2022: Rui Costa (dois mandatos)
- 2023 a 2026: Jerônimo Rodrigues (primeiro mandato)
- 2027 a 2030: Jerônimo Rodrigues (segundo mandato)
A permanência prolongada de um mesmo grupo no poder é rara entre os estados brasileiros e coloca a Bahia como um dos principais redutos eleitorais do PT no país. O resultado também consolida a força do partido no Nordeste, região onde a legenda tem historicamente seus melhores desempenhos.
Por que a vitória no primeiro turno tem peso político
Vencer no primeiro turno tem um significado que vai além do placar. Quando a eleição é decidida já na primeira votação, o candidato eleito evita mais três semanas de campanha, o desgaste de um novo confronto direto e a necessidade de negociar apoios de última hora com candidatos derrotados.
Há também um efeito simbólico. Em 2022, Jerônimo chegou ao governo depois de uma virada no segundo turno, numa disputa apertada. Em 2026, a vitória no primeiro turno, com mais de 55% dos votos válidos, entrega ao governador um recado mais claro das urnas: a maioria do eleitorado baiano decidiu pela continuidade logo na primeira oportunidade.
Na relação com a Assembleia Legislativa e com os prefeitos, esse resultado tende a fortalecer a posição do governo. Um governador reeleito com folga costuma ter mais facilidade para formar maioria no Legislativo, atrair lideranças municipais e conduzir a agenda dos primeiros anos do novo mandato.
Para a disputa nacional, o desfecho libera o grupo governista para concentrar estrutura, militância e lideranças na campanha presidencial. Com o resultado estadual resolvido, prefeitos, deputados e o próprio governador podem dedicar a agenda das próximas semanas ao apoio a Lula, que tem na Bahia um dos seus maiores colégios eleitorais.
O cenário que fica para a oposição
Para o grupo liderado por ACM Neto, a derrota no primeiro turno impõe uma reavaliação. Depois de perder em 2022 no segundo turno, o ex-prefeito de Salvador viu a diferença para o adversário aumentar em 2026, mesmo com pesquisas ao longo do ano indicando uma disputa equilibrada.
O desempenho de 43,73% mostra que a oposição mantém uma base expressiva no estado, com mais de 40% dos votos válidos. Ainda assim, o resultado não foi suficiente para levar a disputa ao segundo turno, etapa em que a oposição apostava para concentrar votos de eleitores insatisfeitos com o governo.
A pesquisa Genial/Quaest de julho já indicava um dado sensível para a oposição: embora parte do eleitorado declarasse desejo de mudança, o governo estadual mantinha aprovação acima de 50%. Na urna, esse capital de aprovação acabou se convertendo em votos para o candidato à reeleição.
Desafios do segundo mandato
Nos últimos anos, a gestão de Jerônimo foi bem avaliada principalmente nas áreas de educação e infraestrutura. Esses dois setores foram vitrines da campanha e devem continuar entre as prioridades do novo mandato.
A segurança pública, por outro lado, segue como o principal ponto de crítica ao governo e deve ser o maior desafio dos próximos quatro anos. A violência aparecia como o maior problema do estado na percepção dos baianos na pesquisa Genial/Quaest de julho, citada por 36% dos entrevistados, à frente da saúde (27%).
Entre os temas que devem marcar o segundo mandato, estão:
- Segurança pública: redução dos índices de violência, principal cobrança da população;
- Educação: continuidade dos investimentos, área em que a gestão foi bem avaliada;
- Infraestrutura: manutenção das obras e da melhoria da malha viária e logística;
- Emprego e renda: área em que a avaliação do governo aparecia dividida na pesquisa de julho, com 34% de avaliação positiva e 34% negativa.
O que o resultado significa para o Vale do São Francisco
Para a região do Vale, a continuidade do governo representa a manutenção dos canais políticos já estabelecidos entre as prefeituras e o Palácio de Ondina. A presença de prefeitos aliados, como Andrei Gonçalves em Juazeiro, tende a facilitar a interlocução para demandas como obras de infraestrutura, saúde, educação e segurança.
Temas como a logística de escoamento da produção agrícola, o fortalecimento da fruticultura irrigada e a ampliação dos serviços públicos nas cidades do entorno devem seguir na pauta de cobranças da região ao governo estadual a partir de 2027.
Próximos passos
Com a eleição para governador definida no primeiro turno, a Bahia não terá segundo turno na disputa estadual. A atenção do eleitorado baiano agora se volta para a eleição presidencial, na qual Jerônimo já anunciou que vai reforçar o apoio a Lula.
A diplomação dos eleitos é feita pela Justiça Eleitoral nas semanas seguintes à votação. A posse de Jerônimo Rodrigues e de Geraldo Júnior para o segundo mandato está marcada para 6 de janeiro de 2027, quando começa oficialmente o novo período de governo, que segue até 2030.
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