A cerca de um mês do início oficial da campanha eleitoral de 2026, uma imagem resume a estratégia política que Petrolina tenta consolidar para o pleito estadual e federal: o prefeito Simão Durando (União Brasil), reeleito em 2024 com mais de 59% dos votos válidos, ao lado da governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição. Abaixo dos dois, uma segunda linha de fotos reúne os nomes que o grupo político de Petrolina — historicamente liderado pela família Coelho — está apostando para o Legislativo estadual e federal e para o Senado.

A composição não é só estética. Ela reflete um desenho de campanha real, construído nos últimos meses, em que Petrolina se posiciona como um dos principais currais eleitorais a serviço da reeleição de Raquel Lyra — com uma exceção que merece explicação à parte.

A parceria entre prefeito e governadora

Simão Durando tem reafirmado publicamente a proximidade com o Palácio do Campo das Princesas. Em encontros recentes para apresentar demandas do município à governadora, o prefeito classificou a relação como "uma excelente parceria" e já declarou que Raquel "merece e será reeleita no primeiro turno". É esse alinhamento — prefeito de uma das cidades mais influentes do interior de Pernambuco declarando apoio explícito e antecipado — que dá o tom para o restante da chapa regional.

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O grupo Coelho e a federação que sustenta Raquel Lyra

Três dos cinco nomes citados na composição pertencem ao grupo político da família Coelho, historicamente associado a Petrolina e ao Vale do São Francisco:

  • Antonio Coelho (União Brasil), deputado estadual buscando a reeleição;
  • Fernando Coelho Filho (União Brasil), deputado federal buscando a reeleição, ex-ministro de Minas e Energia;
  • Miguel Coelho (União Brasil), ex-prefeito de Petrolina, que abriu mão de uma pré-candidatura ao Senado para concorrer a deputado federal.

Esse recuo de Miguel Coelho não foi um gesto isolado: em 5 de agosto de 2026, a federação entre União Brasil e Progressistas (PP) fechou apoio unânime à reeleição de Raquel Lyra, encerrando meses de disputa interna pela vaga ao Senado dentro do bloco. Como o PP tinha o maior peso eleitoral na federação, a indicação ficou com Eduardo da Fonte, e Miguel Coelho migrou para a disputa de deputado federal — com o próprio Eduardo da Fonte declarando, na ocasião, que iria "ao palácio agradecer a confiança" da governadora.

Isso fecha quatro dos cinco nomes da composição dentro de uma aliança formal, verificável e sem ambiguidade: Antonio Coelho, Fernando Coelho Filho e Miguel Coelho pela federação União Brasil–PP, e Eduardo da Fonte como um dos dois candidatos oficiais ao Senado na coligação de Raquel Lyra, batizada "Pernambuco no Coração" — a outra vaga é de Túlio Gadêlha (PSD).

Mendonça Filho: o apoio que a Justiça Eleitoral mandou explicar melhor

O quinto nome é onde a história fica mais interessante — e onde a matéria precisa ser precisa. Mendonça Filho (PL), deputado federal e ex-ministro, também é candidato ao Senado por Pernambuco, e sua ligação com a região e com o grupo Coelho é real: em 3 de agosto, dias antes de anunciar sua candidatura, o grupo de Miguel Coelho — incluindo Fernando Coelho Filho e Antonio Coelho — reuniu-se e decidiu colocar sua estrutura política à disposição da campanha de Mendonça, com Miguel assumindo o compromisso de mobilizar prefeitos, ex-prefeitos e lideranças do Sertão pernambucano em torno do nome.

O ponto alto simbólico dessa aproximação aconteceu em 16 de agosto, quando Mendonça Filho lançou sua campanha ao Senado justamente em Petrolina, ao lado de Raquel Lyra, de Fernando Bezerra Coelho (ex-senador e patriarca do grupo) e de Miguel Coelho. Fernando Bezerra chegou a chamá-lo de "meu senador, senador de Petrolina", e o próprio Mendonça declarou: "Eu não abandono minhas alianças [...] votarei nela com muito orgulho", em referência a Raquel Lyra.

Só que esse apoio nunca foi formalizado como parte oficial da chapa da governadora — que já tinha suas duas vagas ao Senado definidas com Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha. Em entrevista à CNN, a própria Raquel Lyra fez questão de esclarecer publicamente que Mendonça Filho "não é nosso candidato". E, mais recentemente, em 13 de setembro, o TRE-PE multou Mendonça Filho em R$ 5 mil e proibiu a divulgação de qualquer peça publicitária que sugira que sua candidatura está vinculada eletoralmente ao projeto de Raquel Lyra — decisão tomada a partir de representação apresentada pela própria coligação "Pernambuco no Coração".

Na prática, isso significa que Mendonça Filho pode seguir contando com apoio declarado do grupo Coelho e mantendo boas relações públicas com a governadora, mas qualquer peça de campanha — inclusive uma composição fotográfica como a que inspirou esta matéria — não pode ser construída de forma a insinuar que ele integra formalmente a chapa de Raquel Lyra ao Senado. Colocar sua foto ao lado da governadora sem esse contexto correria o risco de repetir exatamente o tipo de associação que a Justiça Eleitoral já vetou.

O que essa composição diz sobre a eleição em Petrolina

A leitura mais honesta da "foto" que Petrolina monta para 2026 é a seguinte: há uma aliança sólida e formalizada entre o prefeito Simão Durando, a governadora Raquel Lyra e o grupo Coelho, que se estende, sem ambiguidade, a três candidaturas ao Legislativo (Antonio Coelho, Fernando Coelho Filho e Miguel Coelho) e a um dos dois nomes ao Senado (Eduardo da Fonte). Nesse núcleo, a expectativa de transferência de votos — do prefeito e da governadora para os candidatos, e destes de volta para a reeleição de Lyra — é uma estratégia declarada e coerente com a movimentação política dos últimos meses.

Mendonça Filho é um caso à parte: tem o apoio de fato do grupo político mais forte da região, mas não o selo oficial da governadora — e a Justiça Eleitoral já deixou claro que essa distinção precisa aparecer em qualquer peça de comunicação, e não só nesta. Para o eleitor do Vale do São Francisco, a mensagem prática é que o "time de Petrolina" tem um núcleo duro de quatro nomes plenamente alinhados com Raquel Lyra, e um quinto nome — forte na região, mas ainda em busca de reconhecimento oficial da cúpula estadual.

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FONTE/CRÉDITOS: Redação O Vale Quer Saber