Programa federal de atenção domiciliar à pessoa idosa oferece recursos e método para que polos regionais como Ourinhos alcancem quem ficou fora do alcance das unidades de saúde

Ourinhos, cidade de 103.970 habitantes segundo o Censo 2022, é um entroncamento natural do sudoeste paulista. Às margens do Rio Paranapanema, na divisa com o Paraná, concentra comércio, serviços e uma rede de saúde que atende também os municípios vizinhos. Mas, como em qualquer cidade, uma parte da população não chega até essa rede: são os idosos que, por doença ou fragilidade, já não conseguem sair de casa.

Para esse grupo, o Ministério da Saúde lançou em junho de 2026 o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa, o Padi Brasil. É a primeira estratégia nacional de cofinanciamento federal voltada exclusivamente a estruturar equipes multiprofissionais que atendem idosos no próprio domicílio.

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O programa é destinado a pessoas com 60 anos ou mais restritas ao domicílio, que convivem com doenças crônicas estáveis, perda de força, dificuldade de locomoção ou comprometimento da memória. São idosos que precisam de acompanhamento regular, mas que não dependem de equipamentos hospitalares.

A equipe multiprofissional da Atenção Primária, a eMulti, vai até a casa e faz uma avaliação ampla. Ela olha para as doenças e os medicamentos, mas também para a capacidade de se alimentar e se vestir, a memória, o humor, a nutrição, a rede de apoio e os riscos de queda no ambiente. Com base nessa avaliação, constrói um plano de cuidados individual e orienta a família sobre como cuidar no dia a dia.

Para cada equipe credenciada, o Governo Federal repassa um incentivo mensal adicional de R$ 5 mil a R$ 10 mil, conforme a modalidade, mais uma parcela única para a implantação. A adesão é feita pelo e-Gestor. Em contrapartida, a prefeitura precisa garantir um veículo para as visitas, com a identidade visual da Atenção Primária, e registrar os atendimentos no sistema nacional. Até junho de 2026, 2.733 municípios brasileiros já haviam pedido para participar.

Para uma cidade-polo como Ourinhos, aderir significa mais do que atender os próprios moradores. A experiência construída no município pode orientar os vizinhos menores, e cada idoso acompanhado em casa representa uma pessoa a menos chegando em estado grave aos hospitais que servem toda a região.

O idoso restrito ao domicílio que não recebe visitas regulares vive à espera da próxima crise. Uma infecção urinária que ninguém percebeu pode causar confusão mental e uma queda. Um remédio tomado de forma errada pode descompensar o coração. Uma ferida de pressão que ninguém tratou pode evoluir para infecção generalizada. Em todos esses casos, a resposta acaba sendo a ambulância e a internação, com sofrimento para o paciente e custo alto para a rede pública.

Há também o impacto sobre as famílias. Sem orientação, filhos e cônjuges assumem sozinhos tarefas complexas de cuidado, muitas vezes abrindo mão do trabalho e da própria saúde.

No Brasil, 80% dos idosos dependem exclusivamente do SUS. A expectativa do Ministério da Saúde é que cerca de 1,5 milhão deles passem a ter acompanhamento domiciliar com o programa. Para Ourinhos e para os municípios do seu entorno, o Padi Brasil oferece os meios para que essa expectativa se torne realidade na região.

AUTORES

Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.

Fatima Crhistine é mestranda em Políticas Públicas pela Universidade Católica de Brasília (UCB), graduada em Economia e Pedagogia, com pós-graduação em Educação Parental e Socioemocional. Servidora Pública Federal cedida da Universidade Federal do ABC para a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde.