O prefeito de Curaçá, Murilo Bomfim (PT), é um dos nomes mais consistentes do Norte da Bahia no apoio à candidatura de Jerônimo Rodrigues (PT) à reeleição ao governo do Estado. Curaçá integra o bloco de catorze prefeitos da região que reafirma publicamente esse apoio — ao lado de lideranças como o ex-governador Rui Costa, o senador Jaques Wagner e o presidente Lula —, e é justamente nesse mesmo movimento que aparece a base de um grupo amplo de deputados estaduais e federais que a administração municipal reforça para 2026.

Curaçá no bloco dos 14 prefeitos do Norte da Bahia

Curaçá aparece ao lado de municípios como Juazeiro, Sobradinho, Uauá, Sento Sé, Jaguarari, Remanso, Abaré, Rodelas e Pilão Arcado na reafirmação de apoio a Jerônimo Rodrigues — um bloco que reúne prefeitos de partidos como PT, PCdoB, PSD e Avante em torno da candidatura à reeleição. É nesse mesmo ato que os nomes de Lucas Reis (PT), Juvenilson Passos (PT) e Luciano Pinheiro aparecem citados nominalmente como pré-candidatos ligados ao grupo — o que dá a esses três um vínculo documentado direto com o bloco de prefeitos do qual Curaçá faz parte.

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O núcleo consolidado: Zó do Sertão, Roberto Carlos e Juvenilson

Na Assembleia, o grupo reforçado por Curaçá tem no seu centro os nomes mais tradicionais da política do Vale do São Francisco dentro do campo de Jerônimo. Zó do Sertão (PCdoB), em seu terceiro mandato consecutivo, e Roberto Carlos (PV, federação PT/PCdoB/PV), com mandato ininterrupto desde 2003, já aparecem como nomes de referência em articulações semelhantes em outros municípios da região neste ciclo eleitoral. Juvenilson Passos (PT), ex-prefeito de Sento Sé e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Juazeiro, complementa esse núcleo com um perfil técnico voltado ao desenvolvimento regional — e, como citado acima, tem vínculo direto com o próprio bloco de prefeitos que inclui Curaçá.

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Angelo Almeida, Rowenna Brito e Osni Cardoso: quadros da gestão estadual

O grupo soma ainda três nomes com trajetória recente dentro do próprio governo Jerônimo. Angelo Almeida (PT), deputado estadual com base em Feira de Santana, é ex-secretário estadual e ex-vereador, com histórico de atuação junto à gestão petista. Rowenna Brito (PT) chega à disputa como ex-secretária da gestão Jerônimo, destacando resultados da área de educação como parte de sua plataforma de campanha, e afirma publicamente confiança na reeleição de Lula, Jerônimo e Wagner na Bahia. Osni Cardoso (PT), ex-prefeito de Serrinha e ex-secretário estadual de Desenvolvimento Rural, reforça ainda mais esse núcleo: além de deputado estadual buscando reeleição, ele foi indicado vice-líder do governo na Assembleia Legislativa — um dos vínculos institucionais mais diretos com a gestão Jerônimo entre todos os nomes citados nesta reportagem.

Fabíola Mansur, a voz crítica dentro da federação

Um caso que merece nuance é o de Fabíola Mansur, que migrou do PSB para o PV neste ciclo e passou a integrar a mesma federação partidária de Roberto Carlos (PT/PCdoB/PV) — o que a coloca formalmente dentro do campo aliado a Jerônimo Rodrigues. Ainda assim, Fabíola Mansur tem adotado publicamente uma postura de "diálogo" combinada com "posição crítica" em relação ao governo, o que a diferencia de um alinhamento automático ou incondicional. Sua presença no grupo reforçado por Curaçá reflete, portanto, uma aliança de campo mais do que uma adesão sem ressalvas.

Daniel Almeida e Bacelar na Câmara Federal

Na bancada federal, o grupo tem em Daniel Almeida (PCdoB) um de seus nomes de maior projeção nacional: o deputado tem defendido publicamente a gestão de Jerônimo Rodrigues e contraposto o programa de governo do petista às propostas de ACM Neto, projetando ainda o crescimento da bancada do PCdoB na Bahia. Já o caso de João Bacelar (PL) chama atenção por outro motivo: filiado a um partido nacionalmente identificado com o campo bolsonarista — historicamente oposição ao PT —, o deputado subiu ao palanque de Jerônimo Rodrigues e tornou pública sua adesão à candidatura à reeleição do governador, um movimento que ilustra como a disputa estadual na Bahia nem sempre segue estritamente a polarização nacional entre PT e direita bolsonarista.

Marcinho Oliveira e Diego Coronel: nomes de fora do núcleo declarado

Dois nomes do grupo indicado para esta reportagem não têm, até o momento, vínculo público confirmado com o campo de Jerônimo Rodrigues ou de ACM Neto: o deputado estadual Marcinho Oliveira (PDT), que busca reeleição como uma das principais apostas de seu partido na Assembleia, e o deputado federal Diego Coronel (Republicanos), estreante na disputa pela Câmara Federal. A presença dos dois no grupo reforçado por Curaçá reflete a indicação repassada para esta reportagem, sem que eu tenha localizado, nas fontes públicas consultadas, declarações que confirmem o alinhamento de ambos com o campo governista — um ponto que vale confirmar antes da publicação (ver nota editorial).

O que está em jogo: transferência de votos em Curaçá

Do ponto de vista da análise eleitoral, o desenho de apoios sustentado por Murilo Bomfim segue a lógica mais comum da política municipal baiana neste ciclo: um prefeito com vínculo documentado ao campo de Jerônimo Rodrigues busca transformar seu capital político local em força de arrasto tanto para a reeleição do governador quanto para um conjunto amplo de candidaturas legislativas, na expectativa de que o eleitorado de Curaçá replique esse voto na disputa estadual e federal.

O caso de Curaçá se destaca, dentro da série de articulações municipais mapeadas neste ciclo no Vale do São Francisco, por reunir um grupo predominantemente coeso com o campo do próprio prefeito — ao contrário de outros municípios da região, em que prefeitos combinam apoios ao seu próprio campo com nomes de oposição. Aqui, a maior parte dos nomes (Zó do Sertão, Roberto Carlos, Juvenilson, Angelo Almeida, Rowenna Brito, Osni Cardoso, Fabíola Mansur, Daniel Almeida, João Bacelar e Lucas Reis) integra o mesmo campo político de Jerônimo Rodrigues — incluindo, de forma notável, um nome vindo de um partido nacionalmente associado ao campo oposto —, com apenas dois nomes (Marcinho Oliveira e Diego Coronel) sem vínculo de campo confirmado publicamente.

Essa coesão pode ser lida como um sinal de força do campo governista em Curaçá e municípios vizinhos, mas também levanta uma pergunta relevante para a análise eleitoral: dez candidaturas de perfis variados disputando espaço dentro do mesmo campo político tendem a competir, ainda que indiretamente, pelo mesmo eleitorado de esquerda na região — o que pode diluir, e não necessariamente ampliar, a transferência efetiva de votos para cada um dos nomes individualmente.

Vale registrar, por fim, que a disputa legislativa na região do Vale do São Francisco segue com outros nomes e candidaturas fora dessa articulação específica, o que mantém o cenário eleitoral fragmentado e ainda em aberto a poucos meses da votação.

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FONTE/CRÉDITOS: Redação O Vale Quer Saber