Carlos Britto se manifestou após uma diligência da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira (20) nas dependências de uma estação de rádio em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Em nota encaminhada à imprensa e à sociedade, o jornalista, radialista e candidato a deputado federal pelo Partido Liberal (PL) afirmou que não é citado no processo que deu origem à investigação e declarou que a atuação das autoridades não ocorreu em sua residência.

O posicionamento foi divulgado depois da repercussão da Operação Espectro Livre, deflagrada para apurar uma possível transmissão clandestina de sinais de rádio e outras irregularidades relacionadas ao uso do espectro de radiofrequências. Conforme as informações divulgadas sobre a operação, agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão em um imóvel onde funcionava uma estação de rádio, com apoio técnico da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Segundo a nota assinada por Carlos Britto, a diligência decorre de um procedimento de natureza administrativa iniciado em 2023, quando a emissora envolvida ainda pertencia a outros proprietários. Ele sustenta que seu nome não consta no processo que originou a investigação. O documento, porém, não apresenta o número do procedimento, cópia de decisão ou outros registros que permitam confirmar de forma independente essas afirmações.

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Britto também declarou que a atuação das autoridades ficou restrita às dependências da rádio. “A atuação das autoridades ocorreu nas dependências da rádio, sem diligências em minha residência”, afirmou, ao corrigir informações que, segundo seu posicionamento, estariam circulando desde as primeiras horas após a operação.

Na mesma manifestação, o candidato atribuiu a repercussão do episódio a uma suposta perseguição política destinada a provocar desgaste em sua campanha. A declaração representa a versão de Carlos Britto sobre o caso. Até a publicação desta matéria, não foi apresentada na nota qualquer prova que relacione a diligência a uma ação de natureza político-eleitoral.

Carlos Britto diz que procedimento começou antes de sua ligação com a rádio

O principal ponto do esclarecimento divulgado pelo comunicador é a data de origem do procedimento. De acordo com Britto, a apuração começou em 2023, período em que a rádio estava sob responsabilidade de outros proprietários. Ao fazer essa observação, ele procura separar sua atuação atual dos fatos que teriam motivado a abertura do processo administrativo.

“Diante das notícias divulgadas nesta quinta-feira, venho esclarecer que a diligência realizada pela Polícia Federal em Petrolina decorre de um procedimento de natureza administrativa iniciado em 2023, quando a rádio envolvida pertencia a outros proprietários. Meu nome não consta no processo que deu origem à investigação”, declarou.

A afirmação de que o nome de Britto não aparece no processo é atribuída ao próprio candidato. A Polícia Federal não divulgou, nas informações públicas localizadas pela reportagem, a identidade dos investigados nem associou formalmente o nome do jornalista à prática sob apuração.

A inexistência de divulgação nominal, contudo, não permite antecipar conclusões sobre o conteúdo integral do procedimento, que deverá seguir sob análise das autoridades competentes.

As informações conhecidas sobre a Operação Espectro Livre indicam que a ação teve como foco o local onde funcionava a estação e os equipamentos utilizados na transmissão. Foram realizadas inspeções e houve apreensão de aparelhos relacionados à emissão de sinais. A estação foi desativada e as transmissões, interrompidas após a diligência.

O material recolhido deverá passar por análise técnica. Esse trabalho pode auxiliar a apuração sobre o funcionamento da estrutura, a regularidade das transmissões e a eventual responsabilidade de pessoas ligadas à operação da emissora no período investigado.

Até que essa etapa seja concluída, não é possível estabelecer responsabilidade individual apenas com base na realização da busca e apreensão.

Operação Espectro Livre apura uso irregular de radiofrequência

A Operação Espectro Livre foi realizada pela Polícia Federal com apoio técnico da Anatel. O objetivo informado é investigar uma possível transmissão clandestina de rádio e outras irregularidades no uso do espectro de radiofrequências em Petrolina.

O espectro é o conjunto de faixas utilizado para a transmissão de sinais de serviços como rádio, televisão, telefonia, comunicações aeronáuticas e redes de emergência. Por se tratar de um recurso limitado e compartilhado, sua utilização depende de regras técnicas e, conforme o serviço, de autorização do poder público.

A Anatel define como clandestina a atividade de telecomunicações desenvolvida sem a concessão, permissão ou autorização exigida para o serviço e para o uso da radiofrequência. A fiscalização verifica equipamentos, parâmetros técnicos, documentação, origem das emissões e possibilidade de interferência em outros sistemas.

No caso de Petrolina, as informações divulgadas apontam que as diligências incluíram inspeções no imóvel e recolhimento de equipamentos empregados nas transmissões. Também foi informado o registro de um Termo Circunstanciado de Ocorrência relacionado ao funcionamento irregular da estação.

Os fatos podem ser analisados à luz do artigo 183 da Lei Geral de Telecomunicações, que trata do desenvolvimento clandestino de atividades de telecomunicação.

A referência ao dispositivo legal indica apenas o enquadramento em tese considerado na apuração. Não representa condenação, reconhecimento de culpa ou conclusão antecipada sobre quem teria responsabilidade pelo funcionamento da rádio.

Em investigações dessa natureza, a análise dos equipamentos e dos documentos recolhidos é uma etapa importante para identificar como a estrutura operava, em que período esteve ativa, quais frequências foram utilizadas e quem exercia controle sobre as transmissões.

Essas respostas dependem do avanço do procedimento e das provas reunidas pelos órgãos responsáveis.

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Candidato a deputado federal alega perseguição política

Além dos esclarecimentos sobre o local da diligência e a origem do procedimento, Carlos Britto afirmou que está sendo alvo de perseguição política. Segundo ele, o objetivo seria desgastar sua caminhada eleitoral e tentar intimidá-lo por causa de sua atuação na comunicação e de sua aproximação com a população.

“Não tenho dúvida de que estou sendo vítima de uma perseguição política, com o objetivo de provocar desgaste à minha caminhada. Desde que iniciei essa trajetória ao lado do povo, dando voz às suas verdades, às suas dores e às suas cobranças, passei a incomodar interesses. A tentativa agora é me intimidar e me calar. Não vão conseguir”, declarou.

A acusação foi apresentada sem a indicação de nomes, grupos, atos específicos ou documentos que comprovem interferência política na operação. Por essa razão, deve ser compreendida como uma alegação feita pelo candidato em sua defesa pública, e não como fato estabelecido.

Britto é candidato a deputado federal por Pernambuco pelo PL e participa pela primeira vez de uma disputa por mandato eletivo após décadas de atuação na comunicação regional. Sua entrada na política ampliou a exposição pública de sua trajetória profissional e de suas posições, especialmente em Petrolina e em outros municípios do Vale do São Francisco.

A condição de candidato torna o episódio eleitoralmente sensível, mas não altera a natureza institucional das diligências. Operações da Polícia Federal dependem de procedimentos formais e, no caso de mandados de busca e apreensão, de autorização judicial.

Qualquer questionamento sobre motivação, legalidade ou alcance da medida deve ser analisado com base nos documentos do processo e nas decisões das autoridades competentes.

Também é necessário distinguir a atuação da emissora, a responsabilidade de antigos proprietários, a administração atual e a situação individual de profissionais ou dirigentes. Essas relações não podem ser presumidas.

A definição depende de documentos societários, registros de funcionamento, autorizações, contratos e elementos técnicos que façam parte da investigação.

Nota afirma que não houve diligência na residência de Britto

Outro esclarecimento destacado pelo candidato diz respeito ao endereço onde a Polícia Federal cumpriu o mandado. Carlos Britto afirmou que os agentes estiveram apenas nas instalações da rádio e que não houve diligência em sua residência.

A informação é relevante porque delimita o alcance da ação narrada na nota. As notícias localizadas sobre a Operação Espectro Livre também descrevem o cumprimento do mandado no imóvel onde funcionava uma estação de rádio. Não há, nessas publicações, indicação de busca na casa do comunicador.

A realização de uma busca em determinado estabelecimento não significa, por si só, que todas as pessoas profissionalmente relacionadas ao local sejam investigadas ou responsáveis pelas irregularidades apuradas.

O mandado tem finalidade de obtenção de elementos específicos, e seu resultado precisa ser examinado no curso do procedimento.

Britto afirmou que seu nome não aparece no processo original. Até que haja acesso a documentos oficiais que confirmem a composição integral da investigação, a informação permanece atribuída a ele.

Da mesma forma, não é possível afirmar, com base apenas na nota ou na cobertura inicial, se novos nomes poderão ser identificados após a análise dos materiais apreendidos.

O Portal O Vale Quer Saber mantém espaço aberto para esclarecimentos adicionais da Polícia Federal, da Anatel, da emissora, de proprietários anteriores e de outras pessoas ou instituições mencionadas no caso.

Eventuais atualizações poderão ser incorporadas à matéria à medida que novos dados oficiais forem disponibilizados.

Carlos Britto destaca trajetória profissional e diz que manterá campanha

Na parte final da nota, o jornalista recorreu à própria trajetória para defender sua conduta.

“Minha história profissional, construída ao longo de tantos anos, fala por mim. Quem me conhece sabe da minha integridade, da minha conduta e do meu compromisso com a verdade”, afirmou.

Britto construiu carreira no rádio, na televisão, na imprensa escrita e na comunicação digital no Vale do São Francisco. É fundador de um portal de notícias com atuação regional e, em 2026, passou a ocupar também uma posição direta no processo eleitoral como candidato a deputado federal.

Essa mudança de papel, de comunicador para candidato, exige que suas manifestações relacionadas à campanha sejam apresentadas ao público com a identificação adequada.

No caso da nota desta quinta-feira, ele fala simultaneamente como profissional da comunicação, pessoa associada à rádio mencionada nas notícias e participante da disputa eleitoral.

Ao encerrar o comunicado, Carlos Britto disse que manterá sua rotina profissional e sua candidatura.

“Sigo trabalhando e exercendo minha atividade profissional e minha candidatura com serenidade, firmeza e compromisso com quem mais precisa”, declarou.

A fala indica que, segundo o candidato, a diligência não provocará interrupção de suas atividades públicas ou eleitorais. Não foram informadas, no texto, mudanças em sua agenda de campanha nem medidas judiciais que ele pretenda adotar em relação ao episódio.

Investigação ainda depende de análise do material apreendido

O cumprimento de uma busca e apreensão é uma fase de coleta de provas, não o encerramento de uma investigação. No caso da Operação Espectro Livre, os equipamentos recolhidos devem ser submetidos a perícia e avaliação técnica para esclarecer as condições de funcionamento da estação.

Entre os aspectos que podem ser examinados estão a frequência utilizada, a potência do sinal, a existência de autorização, a configuração dos transmissores e o período de operação.

Documentos encontrados no imóvel também podem ajudar a reconstruir responsabilidades administrativas e operacionais.

A Anatel atua na fiscalização do uso de radiofrequências e na verificação da regularidade dos serviços de telecomunicações. A Polícia Federal, por sua vez, conduz a apuração criminal quando há indícios de prática prevista em lei.

As conclusões dependem da reunião de provas e podem ser submetidas posteriormente ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.

Até esse momento, devem ser observadas a presunção de inocência e a necessidade de individualização das condutas. A apreensão de equipamentos não autoriza atribuir automaticamente responsabilidade a Carlos Britto, aos atuais responsáveis pela rádio ou aos proprietários anteriores.

Também não permite descartar previamente hipóteses investigativas que ainda estejam sendo analisadas.

Da mesma forma, a alegação de perseguição política precisa de elementos verificáveis para ser apresentada como conclusão. Sem documentos ou evidências adicionais, o correto é registrá-la como parte do posicionamento do candidato, garantindo ao público clareza sobre a origem da afirmação.

Confira a íntegra da nota divulgada por Carlos Britto

“Diante das notícias divulgadas nesta quinta-feira, venho esclarecer que a diligência realizada pela Polícia Federal em Petrolina decorre de um procedimento de natureza administrativa iniciado em 2023, quando a rádio envolvida pertencia a outros proprietários. Meu nome não consta no processo que deu origem à investigação.

Esclareço ainda que a atuação das autoridades ocorreu nas dependências da rádio, sem diligências em minha residência.

Não tenho dúvida de que estou sendo vítima de uma perseguição política, com o objetivo de provocar desgaste à minha caminhada. Desde que iniciei essa trajetória ao lado do povo, dando voz às suas verdades, às suas dores e às suas cobranças, passei a incomodar interesses. A tentativa agora é me intimidar e me calar. Não vão conseguir.

Minha história profissional, construída ao longo de tantos anos, fala por mim. Quem me conhece sabe da minha integridade, da minha conduta e do meu compromisso com a verdade.

Sigo trabalhando e exercendo minha atividade profissional e minha candidatura com serenidade, firmeza e compromisso com quem mais precisa.”

O caso permanece em apuração. Novas informações oficiais sobre o procedimento, o material recolhido e os responsáveis eventualmente identificados deverão definir os próximos desdobramentos da investigação em Petrolina.

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FONTE/CRÉDITOS: Redação O Vale Quer Saber