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O prefeito de Casa Nova, Anísio Viana (PSDB), é um dos nomes mais consistentes do Vale do São Francisco no apoio à candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao governo da Bahia. O alinhamento, hoje de conhecimento público na região, vem acompanhado da articulação de um grupo de deputados estaduais e federais que o prefeito reforça para as eleições de 2026 — um desenho que combina fidelidade partidária ao campo de oposição com apoios que atravessam esse limite.
Eleito em 2024 com 53,14% dos votos, Anísio Viana administra um município que, embora menor que Juazeiro em população, tem peso eleitoral relevante no extremo norte do Vale do São Francisco — território que ACM Neto trata como estratégico para crescer fora de Salvador e da Região Metropolitana.
Uma aliança construída no território
O apoio de Anísio Viana a ACM Neto se manifesta de forma recorrente nas agendas do candidato pela região: a 35ª Festa do Interior de Casa Nova, com a presença de ACM Neto, é um dos marcos mais lembrados dessa aproximação, quando o prefeito reforçou publicamente a mensagem de que "Casa Nova quer um governador que nos ajude" — frase que resume o tom pragmático da aliança, associada à expectativa de investimentos e atenção do futuro governo ao município.
Mais recentemente, em setembro, a mobilização batizada de "Onda Azul" volta a reunir multidões nas ruas de Casa Nova em torno do que a imprensa local chama de "projeto político de Anísio Viana" — sinal de que o prefeito trabalha a força da própria marca política paralelamente ao apoio à candidatura estadual.
O núcleo PSDB: Adolfo Viana e Jordávio Ramos
Na Câmara Federal, o nome mais associado a esse grupo é o do deputado Adolfo Viana (PSDB), que atua na região com entrega de recursos — caso de uma emenda parlamentar de R$ 12 milhões destinada à pavimentação de vias em Casa Nova, um dos maiores programas de investimento da história do município. Adolfo Viana e o deputado estadual Jordávio Ramos (PSDB/Cidadania) aparecem lado a lado em diversos atos políticos na região neste ciclo eleitoral, incluindo a inauguração de um comitê em Casa Nova e agendas ao lado de ACM Neto, como o Circuito Off Road de Remanso. A pré-candidatura de Jordávio Ramos à reeleição na Assembleia também é sustentada por esse mesmo grupo, reunido em eventos com a presença de ACM Neto e outras lideranças estaduais.
Jordávio Ramos, natural de Juazeiro e filho da ex-prefeita Suzana Ramos — nome de família tradicional na política do Vale —, está na Assembleia desde 2022 e atua em comissões de Saúde, Direitos Humanos e Segurança Pública. Sua proximidade política com Adolfo Viana e, por extensão, com o campo de Anísio Viana em Casa Nova, é hoje um dos vínculos mais documentados publicamente entre os nomes citados nesta reportagem.
Júnior Nascimento e a bancada do União Brasil
Também integra o grupo o deputado estadual Júnior Nascimento, filiado ao União Brasil desde 2016 — o mesmo partido de ACM Neto. Na Assembleia, ocupa posições de liderança da legenda, como vice-líder e depois líder do União Brasil, além de corregedor parlamentar. A proximidade partidária com o campo de ACM Neto é o que sustenta sua inclusão neste grupo.
Matheus de Geraldinho, presença constante em Casa Nova
Pelo MDB, o grupo conta com a pré-candidatura de Matheus de Geraldinho a deputado estadual. Diferentemente de um apoio apenas formal, o vínculo dele com Casa Nova se constrói pela presença: Matheus de Geraldinho visita a região com frequência e participa de eventos promovidos pelo próprio prefeito, o que consolida sua proximidade com Anísio Viana e com o grupo político local, independentemente da legenda.
Roberto Carlos e Euclides Fernandes: apoio que atravessa o racha estadual
Um dado que chama atenção neste ciclo é o apoio de Anísio Viana também a Roberto Carlos (PV, federação PT/PCdoB/PV) e a Euclides Fernandes (PT) — movimento que se destaca porque os dois nomes integram, no arranjo estadual, o campo historicamente identificado com o governador Jerônimo Rodrigues, adversário de ACM Neto na disputa pelo governo. No caso de Euclides Fernandes, o apoio do prefeito é declarado e não deixa margem para dúvida: Anísio Viana o reconhece publicamente como um de seus aliados na disputa estadual, apesar do posicionamento do deputado no campo governista.
Roberto Carlos, deputado estadual com mandato ininterrupto desde 2003 e base construída em Juazeiro, também articula apoio com o próprio governador Jerônimo Rodrigues e com o prefeito de Juazeiro para uma eventual candidatura à Câmara Federal — o que mostra que seu capital político é amplo o suficiente para atrair apoios de prefeitos de campos opostos ao mesmo tempo, fenômeno comum a nomes de trajetória consolidada e forte enraizamento regional, menos presos à lógica estrita de situação versus oposição.
Já a base de Euclides Fernandes está tradicionalmente em Jequié, no centro-sul baiano — geograficamente distante do Vale do São Francisco. Ainda assim, o apoio de Anísio Viana a ele é uma escolha deliberada do prefeito, que amplia sua rede de alianças para além do campo estritamente ligado a ACM Neto.
O que está em jogo: transferência de votos em Casa Nova
Do ponto de vista da análise eleitoral, o apoio de Anísio Viana a ACM Neto segue a lógica mais tradicional da política municipal baiana: um prefeito com maioria expressiva (53,14%) busca transformar seu capital político em força de arrasto para o campo estadual que escolheu apoiar, na expectativa de que o eleitorado municipal replique esse voto na disputa ao governo e, por tabela, nas candidaturas legislativas próximas a ele.
O caso de Casa Nova tem uma particularidade que vale destacar: diferentemente de municípios em que o prefeito reforça exclusivamente candidatos do próprio campo político, aqui aparece um desenho misto — de um lado, um núcleo consistente e publicamente documentado (Adolfo Viana e Jordávio Ramos, do PSDB, e Júnior Nascimento, do União Brasil, partido do próprio ACM Neto); de outro, apoios declarados a nomes de fora desse campo (Roberto Carlos e Euclides Fernandes), que respondem mais à lógica de "quem traz resultado para o município" e à proximidade construída no território (caso de Matheus de Geraldinho) do que à fidelidade partidária estrita em torno da disputa pelo governo.
Esse tipo de estratégia tem vantagens e riscos. A vantagem é ampliar o leque de aliados dispostos a destinar recursos e atenção a Casa Nova, independentemente de quem vença a eleição estadual. O risco é a diluição da mensagem política: ao apoiar nomes de campos opostos na mesma eleição, o prefeito abre mão de uma narrativa de bloco único e pode gerar ruído entre a própria base eleitoral, que talvez espere coerência partidária mais estrita.
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