Nesta segunda-feira (4), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expressou sua preocupação com o escândalo de fraudes envolvendo o Banco Master, afirmando que o caso tem gerado grande perplexidade e indignação na população brasileira. A declaração foi feita durante a abertura de uma audiência pública focada na eficiência da CVM, o órgão que fiscaliza o mercado de capitais.

Como decano da Suprema Corte, o ministro Gilmar Mendes integrou a mesa de abertura do evento, que teve como objetivo discutir a eficácia da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em sua função de fiscalizar e regular o mercado de capitais.

Segundo a avaliação do ministro, as investigações em curso sobre o Banco Master já estão produzindo impactos significativos na credibilidade e na reputação das instituições brasileiras.

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"A dimensão do recente escândalo do Banco Master, cujos pormenores continuam a ser revelados, tem provocado justas perplexidades e um sentimento de indignação na população, ao mesmo tempo em que corrói a reputação das nossas instituições", declarou Gilmar Mendes.

O ministro enfatizou que a crise de credibilidade não se restringe apenas ao Supremo Tribunal Federal, mas abrange o país como um todo. Para o decano, o cenário de desconfiança nas instituições é um fenômeno generalizado.

"Tentar solucionar a crise de confiança focando exclusivamente no Supremo Tribunal Federal é, no mínimo, ingenuidade; mas, mais provavelmente, é um sinal de miopia deliberada e de intenções obscuras", avaliou o ministro.

Desdobramentos do caso Banco Master

As investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) no âmbito do caso Banco Master revelaram menções a nomes de dois ministros do Supremo Tribunal Federal.

Em fevereiro, o ministro Dias Toffoli, do STF, optou por deixar a relatoria do inquérito que apura as fraudes no Banco Master. A decisão ocorreu depois que a PF comunicou à Corte a existência de menções ao seu nome em mensagens localizadas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, cujo aparelho foi apreendido na fase inicial da Operação Compliance Zero, deflagrada no ano anterior.

Toffoli é um dos sócios do resort Tayayá, localizado no Paraná, empreendimento que foi adquirido por um fundo de investimentos com conexões ao Banco Master e que também está sob investigação da PF.

No mês subsequente, o ministro Alexandre de Moraes veio a público para negar qualquer contato com Daniel Vorcaro em 17 de novembro do ano passado, data da primeira prisão do empresário.

A suposta troca de mensagens foi noticiada pelo jornal O Globo, que obteve acesso aos *prints* das conversas encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro, apreendido durante a operação.

FONTE/CRÉDITOS: Redação O Vale Quer Saber