A um ano e três meses das eleições estaduais de 2026, a governadora Raquel Lyra (PSD) segue na dianteira da disputa pela reeleição em Pernambuco, segundo a mais recente pesquisa Genial/Quaest, realizada entre 22 e 26 de julho, com 900 entrevistas domiciliares face a face em todo o estado, margem de erro de 3 pontos percentuais e 95% de confiança.

O principal adversário testado é o prefeito do Recife, João Campos (PSB), que aparece em segundo lugar em todos os cenários — inclusive no de segundo turno, no qual a distância para Lyra diminuiu em relação a abril.

O que a pesquisa mostra

Na intenção de voto espontânea — quando o entrevistado precisa lembrar o nome do candidato sem qualquer ajuda —, Raquel Lyra aparece com 25%, contra 18% de João Campos. Assim como é comum nesta fase da corrida, a maioria ainda não soube responder: 54% se disseram indecisos.

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Intenção de voto estimulada
Intenção de voto estimulada

Uma diferença de 6 pontos, portanto fora da margem de erro — vantagem consistente, mas não avassaladora. É no cenário de segundo turno que aparece o dado que merece mais atenção.

Inversão completa
Inversão completa

Houve uma inversão completa: em abril, João Campos vencia a simulação de segundo turno por 8 pontos; em julho, é Raquel Lyra quem abre 6 pontos de vantagem. É o maior movimento de todo o levantamento e sugere que a governadora vem conseguindo transformar a melhora na avaliação de governo em intenção de voto no cenário mais decisivo da eleição.

Aprovação em alta, mas nem tudo vira voto

A aprovação ao governo Raquel Lyra saltou de 51% em agosto de 2025 para 68% em julho de 2026, com a desaprovação caindo de 45% para 23% no mesmo período. Questionada diretamente se a governadora merece ser reeleita, 57% dizem que sim, contra 36% que discordam.

Ainda assim, esses números não se traduzem integralmente em voto: mesmo com 68% de aprovação, Raquel Lyra tem 43% de intenção de voto estimulada — um "gap de conversão" de 25 pontos entre quem aprova o governo e quem efetivamente votaria nela hoje. Parte dessa diferença é natural (nem todo eleitor que aprova uma gestão vota necessariamente no titular), mas o tamanho do gap indica que ainda existe espaço de crescimento a ser conquistado — e também risco, caso a avaliação de governo comece a cair.

Do lado de João Campos, o salto entre o espontâneo (18%) e o estimulado (37%) — um ganho de 19 pontos — é típico de pré-candidato ainda sem campanha formal, mas já reconhecido quando apresentado como opção.

Conhecimento e rejeição: Raquel estável, João Campos cresce — e a rejeição cresce junto

Conhecimento e rejeição
Conhecimento e rejeição

Em abril, Raquel Lyra tinha 37% de rejeição ("conhece e não votaria"); em julho, esse número caiu ligeiramente para 35% — sinal de estabilidade, mesmo com todo o desgaste natural de quem ocupa o cargo. João Campos, por sua vez, viu sua rejeição subir de 28% para 34% no mesmo período, acompanhando o crescimento do seu conhecimento (de 58% para 57% descreve estabilidade, mas a divisão interna mudou: quem "conhece e não votaria" cresceu).

Esse é um padrão diferente do que costuma ser mais favorável a um desafiante: idealmente, quando um nome ganha exposição, a rejeição deveria permanecer estável ou crescer pouco. Aqui, ela avança quase na mesma proporção que o conhecimento — o que indica que o crescimento de João Campos está encontrando resistência real no eleitorado, e não apenas espaço livre para crescer.

O eleitor independente é quem decide

Pernambuco tem um eleitorado dividido quase ao meio entre dois grandes blocos: 32% se declaram lulistas e 31% independentes — os dois maiores grupos do estado, seguidos por esquerda não lulista (11%), direita não bolsonarista (11%) e bolsonaristas (10%).

Eleitor independente
Eleitor independente

Quando perguntados sobre o perfil ideal do próximo governador, a preferência por um nome "independente" cresceu de 30% em abril para 34% em julho — recuperando terreno depois de ter caído do patamar de 45% registrado em agosto de 2025. Já a preferência por um aliado de Lula segue estável em torno de 47%, e o desejo por um aliado de Bolsonaro caiu de 17% para 14%.

Isso mostra um eleitorado pernambucano que, diferentemente de outros estados nordestinos, não rejeita necessariamente a proximidade com o governo federal — mas também não fecha a porta para um nome mais independente, o que ajuda a explicar por que tanto Lyra (hoje mais associada a um discurso de gestão técnica) quanto Campos (aliado declarado de Lula) têm espaço para crescer.

Vale do São Francisco: o que a pesquisa não mostra

A pesquisa Genial/Quaest de Pernambuco não traz recorte regional específico: a ficha técnica detalha margem de erro por sexo, faixa etária, escolaridade, renda, religião e posicionamento político, mas não por região do estado. Isso significa que não é possível, a partir deste levantamento, afirmar como o eleitorado do Vale do São Francisco (Petrolina e entorno) está se comportando especificamente no cenário atual — nem comparar com pleitos anteriores, já que o confronto de 2026 (Raquel Lyra x João Campos) tem um adversário diferente do de 2022 (Raquel Lyra x Marília Arraes), o que tornaria qualquer comparação direta de município por município pouco confiável.

Segurança é a área mais sensível da gestão estadual

Entre as áreas avaliadas do governo estadual, educação (57% positiva) e atração de empresas (55%) têm os melhores índices. No outro extremo, segurança pública é a área mais dividida e mais contestada: 32% positiva, 39% regular e 29% negativa — a que reúne, proporcionalmente, a maior insatisfação entre todas as testadas.

Areas de Avaliação
Areas de Avaliação

Isso é coerente com o que aparece quando se pergunta ao eleitor qual o maior problema do estado hoje: saúde (32%) e violência (24%) concentram a maior parte das respostas espontâneas, com a menção à saúde subindo de 25% em fevereiro de 2025 para os atuais 32%.

Maior problema do Estado
Maior problema do Estado

Senado ainda tudo em aberto

Diferentemente da disputa ao governo, a corrida ao Senado pernambucano segue pulverizada. Nos quatro cenários testados pela Genial/Quaest, Marília Arraes (PDT) aparece à frente na combinação de votos totais, entre 19% e 21% conforme o cenário, seguida por Humberto Costa (PT), com 12% a 14%. Atrás deles, Mendonça Filho (PL), Eduardo da Fonte (PP), Miguel Coelho (União) e Túlio Gadelha (PSD) somam percentuais de um dígito, sem nenhum se destacar com força.

Os índices de indecisão para o Senado variam entre 17% e 24% dependendo do cenário, e o voto em branco, nulo ou "não vai votar" chega a somar até 25% — sinal de que essa disputa está muito mais em aberto do que a do governo, e de que ainda há bastante espaço para movimentação nos próximos meses.

Uma corrida com favorita definida, mas sem margem para acomodação

A leitura mais honesta que os números permitem é a seguinte: Pernambuco tem hoje uma corrida ao governo com favorita clara — Raquel Lyra lidera em todos os cenários testados, viu sua aprovação de governo subir com força nos últimos meses e reverteu, entre abril e julho, uma desvantagem que tinha no cenário de segundo turno. Mas a vantagem não está infinitamente blindada: o "gap de conversão" entre aprovação (68%) e voto (43%) mostra que parte desse capital político ainda não virou voto consolidado, e 41% do eleitorado ainda diz que sua escolha pode mudar até a eleição.

Para João Campos, o principal desafio aparente não é ganhar conhecimento — ele já parte de um patamar relevante —, mas conseguir crescer sem que a rejeição cresça na mesma proporção, o que não vem acontecendo até aqui.

Já a disputa ao Senado é o verdadeiro campo aberto do pleito pernambucano em 2026, com folga: nenhum nome testado ultrapassa os 21% e os índices de indecisão e voto não-declarado somam, em alguns cenários, quase metade do eleitorado.


Pesquisa Genial/Quaest, Estadual Pernambuco, julho de 2026. Coleta entre 22 e 26 de julho, 900 entrevistas domiciliares face a face, margem de erro de 3 pontos percentuais, 95% de confiança. Registro na Justiça Eleitoral: BR-03810/2026 e PE-09649/2026.

FONTE/CRÉDITOS: Redação O Vale Quer Saber