A Bahia registrou em setembro de 2026 o menor número de mortes violentas dos últimos 14 anos. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-BA), foram contabilizados 223 casos ao longo do mês, somando homicídios, latrocínios e lesões dolosas seguidas de morte.

O dado do mês vem acompanhado de outro indicador: no acumulado de janeiro a setembro, as mortes violentas na Bahia caíram 21% na comparação com o mesmo período de 2025. Em 2026, as forças de segurança realizaram 600 operações, localizaram 70 líderes de facções e apreenderam 5.200 armas de fogo, de acordo com o balanço divulgado pela pasta.

O que entra na conta das mortes violentas

Para entender o número, é preciso saber o que a estatística reúne. O índice de mortes violentas usado pela Polícia da Bahia junta três tipos de crime que terminam com a morte da vítima:

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  • Homicídio doloso: quando há intenção de matar;
  • Latrocínio: o roubo seguido de morte, quando a vítima é assassinada durante um assalto ou por causa dele;
  • Lesão corporal dolosa seguida de morte: quando a agressão é intencional, mas o autor não tinha o objetivo de matar, e a vítima morre por causa dos ferimentos.

Esse conjunto é conhecido na segurança pública como Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI). É o principal termômetro usado por governos e pesquisadores para medir a violência letal, porque reúne os crimes mais graves contra a vida e permite comparar períodos e territórios com o mesmo critério.

Setembro em números

Os 223 casos registrados em setembro dão uma média de cerca de 7 mortes violentas por dia no estado ao longo dos 30 dias do mês. Segundo a SSP, é o menor total mensal registrado na Bahia em 14 anos.

O resumo do balanço divulgado pela secretaria:

  • Mortes violentas em setembro de 2026: 223
  • Posição na série histórica: menor número mensal dos últimos 14 anos
  • Variação no acumulado de janeiro a setembro: queda de 21% em relação a 2025
  • Operações realizadas em 2026: 600
  • Líderes de facções localizados: 70
  • Armas de fogo apreendidas: 5.200

Como ler a comparação de 14 anos

Quando a SSP afirma que setembro teve o menor número de mortes violentas dos últimos 14 anos, a comparação considera os totais mensais registrados desde 2012. Ou seja, em mais de uma década de registros, nenhum mês teve tão poucos casos quanto os 223 de setembro de 2026.

Esse tipo de comparação mensal ajuda a identificar marcos, mas tem limites. Cada mês pode ter variações próprias, ligadas, por exemplo, a feriados, períodos festivos e maior circulação de pessoas. Por isso, o dado de setembro ganha mais peso quando é lido junto com o acumulado do ano, que reúne nove meses de registros e reduz o efeito de oscilações pontuais.

Queda de 21% no acumulado do ano

O recorte de nove meses mostra que o resultado de setembro não é um caso isolado. Entre janeiro e setembro de 2026, as mortes violentas caíram 21% em comparação com o mesmo intervalo do ano passado.

A tendência já aparecia em balanços anteriores. Em abril de 2026, a SSP registrou 256 mortes violentas, número que naquele momento também foi apresentado como o menor em 14 anos para o mês. No primeiro quadrimestre, os casos passaram de 1.449, entre janeiro e abril de 2025, para 1.119 no mesmo período de 2026, uma redução de cerca de 23%.

Com setembro, a Bahia volta a registrar um mês abaixo desse patamar: 223 casos, 33 a menos que os 256 de abril.

O ponto de partida: o balanço de 2025

Para dimensionar a queda, vale olhar para o ano anterior. Em 2025, a Bahia somou 3.884 mortes violentas, segundo dados da SSP. O número representou uma redução de 13,1% em relação a 2024, com 588 casos a menos, e foi o menor total anual dos últimos 19 anos. Foi também o quarto ano consecutivo de queda no estado.

Os dados de 2025 mostraram ritmos diferentes entre as regiões:

  • Salvador: 706 mortes violentas, queda de 22,9%, o menor índice em 25 anos na capital;
  • Região Metropolitana de Salvador: recuo de 21,2%;
  • Interior do estado: 2.788 mortes violentas, queda de 8,9%.

A diferença entre a capital e o interior importa para quem vive no Vale do São Francisco. Em 2025, a maior parte das mortes violentas do estado aconteceu fora da Região Metropolitana, e a redução no interior foi mais lenta do que em Salvador. O balanço de setembro de 2026 divulgado pela SSP não detalhou os números por região ou por município.

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600 operações, 70 líderes de facções e 5.200 armas apreendidas

Além da queda nos crimes contra a vida, a SSP apresentou indicadores do trabalho das forças de segurança em 2026. Ao longo do ano, as forças estaduais e federais que atuam na Bahia promoveram 600 operações.

Nessas ações, segundo a secretaria, 70 líderes de facções criminosas foram localizados. As facções estão no centro de boa parte da violência letal no estado, principalmente pela disputa de territórios ligados ao tráfico de drogas. A atuação sobre as lideranças é uma das frentes mais citadas pelas autoridades no enfrentamento ao crime organizado.

Armas fora de circulação

Outro número destacado no balanço é o de 5.200 armas de fogo apreendidas em 2026. Isso dá, em média, mais de 570 armas retiradas de circulação por mês, ou cerca de 19 por dia.

A apreensão de armas é considerada um dos fatores com efeito direto sobre os homicídios, já que a maior parte das mortes violentas no Brasil é cometida com arma de fogo. Ao comentar a queda registrada em 2025, a SSP também apontou o aumento no número de presos e de armas apreendidas como fatores para a redução dos índices.

Integração entre as forças de segurança

O secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, atribuiu o resultado ao trabalho conjunto de diferentes instituições.

"Este resultado foi alcançado através da dedicação dos homens e mulheres das Polícias Militar, Civil, Técnica e Penal, além do Corpo de Bombeiros, PF, PRF, FICCO e Guardas. Trabalho incansável em prol da população", afirmou Werner.

A declaração cita órgãos estaduais, federais e municipais que atuam na segurança pública. Cada um tem uma função específica:

  • Polícia Militar: responsável pelo policiamento ostensivo e preventivo nas ruas;
  • Polícia Civil: conduz as investigações e os inquéritos policiais;
  • Polícia Técnica (Departamento de Polícia Técnica): faz perícias e laudos que servem de prova nas investigações;
  • Polícia Penal: atua na custódia e na segurança do sistema prisional;
  • Corpo de Bombeiros: atua em salvamentos, resgates e prevenção;
  • Polícia Federal (PF): investiga crimes federais, como o tráfico interestadual e internacional de drogas e armas;
  • Polícia Rodoviária Federal (PRF): fiscaliza as rodovias federais, por onde circulam drogas, armas e veículos roubados;
  • FICCO: a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, que reúne forças federais e estaduais em ações contra facções;
  • Guardas Municipais: atuam na proteção de bens, serviços e espaços públicos dos municípios.

A citação da PRF e da PF pesa de forma especial para o interior. As rodovias federais que cortam a Bahia, incluindo as que passam pelo Vale do São Francisco, são rotas de circulação de drogas e armas, e a fiscalização nesses trechos faz parte do combate ao crime organizado.

Contratações e investimentos

Werner também mencionou os investimentos do Governo do Estado na área. Segundo o secretário, foram contratados 11 mil profissionais da segurança pública, além da entrega de novas unidades, armamentos, viaturas e equipamentos de perícia.

"Agradeço ao governador Jerônimo Rodrigues pelo apoio incondicional. Seguiremos combatendo a criminalidade com integração e norteados pela inteligência", completou o secretário.

A menção à inteligência se refere ao uso de dados, investigação e monitoramento no planejamento das operações, um modelo que prioriza ações direcionadas a grupos e lideranças específicas.

Segurança no interior e no Vale do São Francisco

Para os municípios baianos do Vale do São Francisco, o balanço estadual serve como contexto, já que a SSP não divulgou, neste levantamento, os números de cada cidade. Ainda assim, alguns elementos ajudam a entender por que o tema é relevante para a região.

Juazeiro e os municípios vizinhos ficam na divisa com Pernambuco, ligados a Petrolina pela ponte sobre o Rio São Francisco. A região é cortada por rodovias federais, como a BR-407 e a BR-235, que ligam o Vale a outras partes do Nordeste. Essa posição estratégica favorece o comércio, a agricultura irrigada e a circulação de pessoas, mas também exige atenção das forças de segurança dos dois estados.

Nesse cenário, a integração entre polícias estaduais e federais citada pelo secretário Marcelo Werner tem efeito direto no dia a dia de quem vive na região. A fiscalização nas rodovias, a troca de informações entre os órgãos e as operações conjuntas são ferramentas usadas contra crimes que não respeitam fronteiras entre municípios ou estados.

Bahia pela Paz e outras frentes

O resultado de setembro também faz parte do contexto do programa Bahia pela Paz, iniciativa do Governo do Estado em parceria com o sistema de Justiça, voltada à prevenção e à redução da violência. O programa reúne polícias, sistema prisional, Defensoria Pública, Ministério Público, Poder Judiciário e Assembleia Legislativa em um comitê de governança.

Entre as ações discutidas pelo programa ao longo de 2026 estão:

  • a expansão das câmeras corporais para 17 unidades policiais;
  • a criação de um curso de formação em abordagem qualificada para os agentes;
  • estudos sobre a criação de novas estruturas de acompanhamento das ações policiais.

Por que o número ainda exige atenção

A queda é expressiva, mas os dados também mostram o tamanho do desafio. Mesmo no mês com o menor número da série recente, 223 pessoas morreram de forma violenta na Bahia. Em 2025, foram 3.884 vidas perdidas, a maioria delas no interior do estado.

Por isso, especialistas em segurança pública costumam acompanhar a evolução dos indicadores ao longo de vários meses e anos, e não apenas um resultado mensal isolado. A disputa entre facções, a circulação de armas e as condições sociais de cada território influenciam a variação dos números. Os próximos balanços vão mostrar se o resultado de setembro se consolida.

O que observar nos próximos meses

Para acompanhar a evolução da violência letal no estado, alguns pontos merecem atenção nos próximos balanços da SSP:

  • se o acumulado do ano mantém a redução de 21% até dezembro;
  • se o total de 2026 ficará abaixo das 3.884 mortes registradas em 2025;
  • como o interior, onde se concentra a maior parte das ocorrências, se comporta em relação à capital;
  • a divulgação de números por município, que permite avaliar o cenário em cidades como Juazeiro, Sobradinho, Casa Nova, Curaçá e demais municípios do Vale.

Encerramento

O balanço de setembro mostra a Bahia com o menor número mensal de mortes violentas em 14 anos e confirma, no acumulado de 2026, uma redução de 21% em relação ao ano anterior. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o resultado vem da integração entre as forças estaduais, federais e municipais, das operações contra facções e da retirada de armas de circulação. Os próximos levantamentos vão indicar se a tendência se mantém até o fim do ano e como ela chega às cidades do interior, incluindo o Vale do São Francisco.

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FONTE/CRÉDITOS: Redação O Vale Quer Saber